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10 de maio de 2007

Projetos em série

A China é líder disparado em projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – que funcionam a partir da venda de créditos de carbono para países desenvolvidos. Concentra simplesmente 61% dos recursos. Reportagem do The New York Times mostra que o fato é símbolo das desigualdades no programa. Enquanto os chineses (seguidos pela Índia, Brasil e Argentina) têm um esquema que facilita cada vez mais a emissão de novos projetos ambientalmente corretos (com a capacitação de pessoas para desenvolverem os projetos nos moldes necessários), os países africanos só ficaram com 150 milhões de dólares do total de 4,8 bilhões movimentados em 2006. Banqueiros, ambientalistas e representantes da Onu (que opera o mecanismo) dizem que o MDL tem tido sucesso em seu objetivo principal, de diminuir, onde quer que seja, as emissões de gases do efeito estufa. Mas há quem tenha se manifestado contra distorções tão berrantes. Principalmente, uma vez que a China não é mais tão pobre quanto era até poucos anos.

Por Redação ((o))eco
10 de maio de 2007
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10 de maio de 2007

Cegueira voluntária

Coluna da jornalista Miriam Leitão desta quinta-feira no jornal O Globo mostra o quão empobrecido é o discurso do governo quanto às soluções para suprir as necessidades energéticas do país. A ministra Dilma Roussef afirmou esta semana que se as licenças das hidrelétricas do Madeira não saírem o governo apelará para usinas térmicas a combustíveis fósseis. Mas um estudo da WWF, lembra Miriam, indica outras possíveis alternativas, com números impressionantes. Segundo o documento, é possível diminuir a demanda esperada de energia elétrica no Brasil em até 40%. Isso investindo em pequenas centrais elétricas, fontes alternativas de geração de energia e em políticas de indução à eficiência energética. Com as medidas sugeridas, seria possível “evitar o uso” de uma energia equivalente a 60 usinas nucleares de Angra 3 ou seis Itaipus. A economia seria de até 33 bilhões de reais até 2020.

Por Redação ((o))eco
10 de maio de 2007
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10 de maio de 2007

Que nem Fidel

A Onu divulgou nesta quarta-feira um relatório em que alerta para os riscos do crescimento mal planejado dos biocombustíveis. A tecnologia, diz o documento, pode causar fome e destruição de habitats. Reportagem da Folha de São Paulo diz que o Brasil não corre muito o risco de passar sem comida – pelo menos na opinião do físico Luiz Pinguelli Rosa, da Coppe. Menos improvável é o aumento do desmatamento na medida em seja preciso aumentar a área cultivada. O relatório, no entanto, se concentra em criticar os países asiáticos, como a Indonésia. E elogia as reservas legais brasileiras (mais especificamente os 20% de floresta em pé nas propriedades onde se planta cana em São Paulo).

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10 de maio de 2007
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10 de maio de 2007

Os olhos da cara

Pode chegar a duzentas libras por dia a multa para o ônibus que quiser circular por uma parte do centro de Londres. O prefeito da cidade, Ken Livingstone, planeja criar uma “zona de baixa emissão”, aumentando inclusive o pedágio já pago por carros – de oito libras, passaria a 25. A idéia original com a cobrança era diminuir o trânsito. Mas com o advento das mudanças climáticas, ela virou também uma forma de diminuir as emissões dos gases causadores do efeito estufa. A notícia está no site Tree Hugger.

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10 de maio de 2007
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10 de maio de 2007

Recursos bem-vindos

Os parques estaduais de Ilha Grande e Três Picos, além da Reserva Ecológica de Guaxindiba, no Rio, receberão 5,5 milhões de reais para melhorias de infra-estrutura. A secretaria de meio ambiente do estado anunciou que os recursos são de compensação ambiental pela instalação de uma termelétrica no Rio, mas não informou quando eles serão encaminhados às administrações das unidades de conservação.

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10 de maio de 2007
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9 de maio de 2007

Licenciamento de hidrelétricas

O Ministério de Minas e Energia (MME) revelou nesta quarta-feira dados preliminares de um estudo que encomendou ao Banco Mundial sobre o processo de licenciamento ambiental de hidrelétricas no Brasil. Os dados não são nada favoráveis aos órgãos licenciadores. De acordo com o levantamento, o pedido de licença prévia, que deveria ser analisado em um ano, segundo a resolução Conama 237/1997, demora em média 1188 dias. Audiências públicas, por sua vez, ocorrem em cerca de 239 dias depois de iniciado o processo de licenciamento, quando podiam ser feitas em 45 dias.

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9 de maio de 2007
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9 de maio de 2007

Culpa de quem?

Os dados foram apresentados durante audiência pública sobre licenciamento ambiental na Câmara dos Deputados. Presente no evento, o presidente interino do Ibama, Bazileu Margarido, disse ter ficado surpreso com as médias calculadas pelo Banco Mundial. Prometeu, no entanto, verificar se o Ibama contribui para a estatística. O próprio secretário-executivo do MME, Nelson Hubner, afirmou que o balanço poderia ser revisado e questionado em alguns pontos, mas não perdeu a oportunidade de cobrar "padrões" e "prazos" no licenciamento.

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9 de maio de 2007
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9 de maio de 2007

Surpresa…

De acordo com Nelson Hubner, o governo está prestes a encaminhar ao Congresso o projeto de lei que facilita a exploração de potencial hidrelétrico dentro de terras indígenas. O secretário-executivo deu a entender que as negociações interministeriais caminham muito bem na Casa Civil. Disse que está "quase fechado". Perguntados o que acham da história, os representantes do MMA disseram que não estão informados.

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9 de maio de 2007
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9 de maio de 2007

São Paulo solar

Um projeto de lei encaminhado à câmara ontem pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) declara que o uso de energia solar para aquecer a água pode virar lei para os empreendimentos paulistas. Apesar de alguns pontos de pouca clareza, o documento avisa que imóveis com muita circulação de água, como academias de ginástica e motéis, serão obrigados a instalar o sistema. Para as indústrias, a regra deverá ser seguida apenas se for utilizada água no processo de fabricação ou se vestiários forem disponibilizados para os funcionários. As residências com mais de três banheiros também deverão adotar os novos aquecedores, assim como todas as piscinas aquecidas. Como era de se esperar, os ambientalistas adoraram a idéia. O mesmo não se pode dizer do diretor de instalações do Secovi-SP (Sindicato de Habitação), Paulo Rewald, que disse ser o projeto inviável para a maioria dos edifícios verticais por causa da falta de espaço. Notícia completa na Folha.

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9 de maio de 2007
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9 de maio de 2007

Denúncia

A especulação imobiliária tem causado problemas sociais e ambientais para a costa espanhola. De acordo com o Daily Telegraph, a corrupção e as concessões econômicas realizadas por alguns governos regionais do país em praias conhecidas mundialmente são um excelente exemplo de como destruir a beleza natural de um lugar. Um exemplo que o jornalista Charles Clover usa para ilustrar a sua história é chocante. Ele dirigia por uma obscura parte da cidade de Almeria, uma das mais secas e menos desenvolvidas de toda a costa Mediterrânea, quando passou por um morro no meio do nada. Qual não foi sua surpresa quando se deparou com escavadeiras que quase o colocavam abaixo, além de casas de turistas sem qualquer conexão com outros estabelecimentos que cresciam em cima de rochas e arbustos. Para ele, esta visão foi mais degradante do que ver as já conhecidas edificações construídas sem qualquer licença no município de Marbella, ao sul da Espanha.

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9 de maio de 2007
Análises
9 de maio de 2007

O mistério de Sultan

De Glenn SwitkesDiretor, Programa na América LatinaInternational Rivers NetworkSão PauloPrezados Gustavo e AldemGostaria de identificar que acho é um erro no seu artigo. O estudo de Sultan Alam analisa apenas o reservatório ("pool") entre as usinas Jirau e Santo Antonio. O estudo do Dr. Alam não analisa o acúmulo de sedimentos ao montante da usina Jirau, apontando por vários especialistas independentes e por IBAMA como problema mais sério sobre este tema, que inclusive poderia resultar em impactos na Bolívia.Por isso, as declarações da Dilma e o MME que "sedimentos não são um problema", citando o estudo do Dr. Alam são apenas para enganar o público.De qualquer forma, agradecemos a independência e a vontade da O Eco para examinar assuntos controvérsias e complexas como esta questão. Os rios da Amazônia têm vida, e possibilitam uma vida saudável e digna para milhares de famílias. Brasil e a região amazônica não merece um retrocesso no sistema de proteção ambiental que retornaria o processo de tomada de decisão sobre mega-projetos em processo político, sem debate público. Atenciosamente,

Por Redação ((o))eco
9 de maio de 2007
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