Uma pesquisa de opinião pública do Ibope revelou o que os números do desmatamento na Amazônia jamais poderiam atestar. Os eleitores do Mato Grosso são contra a destruição da floresta. Entre proteger o meio ambiente ou privilegiar o crescimento econômico, 52% ficam do lado da natureza. Para 59% dos entrevistados, o Mato Grosso deve aumentar os cuidados com os recursos naturais, mesmo que isso prejudique a economia e até provoque desemprego.
A pesquisa foi realizada em julho deste ano com 1.512 pessoas. Todas com mais de 16 anos e grau de escolaridade entre a 4ª série completa e ensino superior. Quase a metade (49%) votou no empresário Blairo Maggi para governador em 2002 e 68% aprovam a sua administração. Seis em cada dez entrevistados acreditam que o Mato Grosso está no caminho certo. A resposta contradiz a linha de consciência ambiental apresentada. Afinal, desde que Blairo Maggi assumiu, o estado tem liderado o desmatamento da floresta amazônica e usado a economia como desculpa para devastar sem dó.
Os mato-grossenses reconhecem que a atual administração investe especialmente em agropecuária, a alavanca do PIB estadual. E 75% confessam que se alguma atividade econômica tiver que ser freada em benefício do meio ambiente, eles torcem para que seja a extração de madeira, e não a agricultura ou a pecuária. Ainda que essas duas últimas sejam apontadas como os principais estímulos para o corte de floresta na região. A resposta no fundo faz sentido. O Mato Grosso é o maior produtor de soja do país e possui o maior rebanho nacional, mas lidera a extração ilegal de madeira na Amazônia. Sete em cada dez eleitores mato-grossenses acham que o Mato Grosso tem o dever perante o resto do país de proteger suas florestas. E 67%, a maioria jovem e com nível de escolaridade alta, acham que o estado não deve fazer o que bem entender com suas florestas e matas tropicais sem dar satisfações a ninguém. Quanto a isso, 18% descordam, pelo menos em parte. Curiosamente, no estado onde os caminhoneiros escrevem em seus para-choques frases como “Eu amo a BR-163. Fora Ongs.”, 43% dos eleitores dizem que, de modo geral, quem tem razão na hora de discutir meio ambiente são as Ongs. Já ¼ deles acha que quem tem que ter a palavra final são as pessoas que dependem dos recursos naturais para atividades econômicas.
A pesquisa do Ibope revela que a maior parte da população de Mato Grosso, seja ela jovem ou idosa, pouco esclarecida ou possuidora de um diploma universitário, não concorda com a política ambiental de Blairo Maggi. Os mais velhos e mais letrados dizem confiar nele (57%), mas se as eleições para governador fossem hoje apenas 17% dos entrevistados garantem que votariam no empresário. Abra o olho, Maggi. Nem só de soja se faz o amanhã.
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