Reportagens

Uma artista do Cerrado

Aquarelista científica do Distrito Federal retrata como poucos os traços e cores surpreendentes de um Cerrado que encolhe a cada dia. Ivani Coutinho inspirou seu trabalho na obra da britânica Margareth Mee.

Redação ((o))eco ·
12 de setembro de 2008 · 18 anos atrás

A artista plástica Ivani Coutinho tem tudo a ver com o Cerrado. Ela viveu boa parte da infância em meio aos campos e matas, coletando flores e frutos do bioma no município de Nova América, em Goiás. Aquela realidade lhe tocou tanto que, hoje, dedica pincéis e tintas a cores e formas praticamente desconhecidas por olhos cada vez mais urbanizados, alheios às belezas que os cercam.

Ivani descobriu a vocação nas aulas de Educação Artística do ginásio, já colocando no papel formas e detalhes esculpidos pela natureza. Com poucos recursos, seguiu uma trilha como auto-didata. Seu futuro nas aquarelas foi definido após deslumbrar-se com uma exposição da britânica Margareth Mee (1909 – 1988), realizada há décadas no Palácio Itamaraty.

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Ao contrário da artista botânica inglesa, que se dedicou às plantas da Amazônia, Ivani centrou esforços em retratar as nuances do Cerrado. Em seguida, realizou cursos com professores brasileiros e estrangeiros e hoje é uma das raras artistas que ensinam a técnica da aquarela científica.

“Com meu trabalho quero difundir a técnica e chamar a atenção para a necessária preservação da natureza. Principalmente do Cerrado, que está em vias de extinção. O bioma tem formas e combinações únicas de cores, que muitas vezes só se revelam nas ilustrações”, comenta a artista.

Ela já expôs no Senado e na Câmara, na Embrapa, no Ibama e em shoppings da capital brasileira, além de manter uma pequena mostra na Casa d´Itália (EQS 209/209), em Brasília, onde também ensina sua arte.

Apesar do talento, sua trajetória não foi e não é fácil. Ainda mais em um país que planeja pouco o presente, esquece fácil do passado e projeta o futuro com a destruição de seu patrimônio ecológico. Atualmente Ivani usa boa parte de seus dias para percorrer órgãos públicos e fazer contatos, sem desgrudar de suas pranchetas multicoloridas. Sempre em busca de apoio e atenção, assim como o Cerrado.

Confira abaixo uma pequena mostra de seu trabalho. Contatos da artista:

(61) 8537-2830
[email protected]

 

 

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