Reportagens

Desmatamento em setembro

INPE aponta 400 km2 de desmatamento na Amazônia em setembro. Mato Grosso assume 1o lugar, mas Pará pode ter tido desmate maior porque 28% do estado estavam com nuvens.

Redação ((o))eco ·
4 de novembro de 2009 · 16 anos atrás

 

Pontos em amarelo representam novas áreas desmatadas. Em rosa, cobertura de nuvens que impediu avaliação em parte dos estados. (fonte: INPE)
Pontos em amarelo representam novas áreas desmatadas. Em rosa, cobertura de nuvens que impediu avaliação em parte dos estados. (fonte: INPE)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou hoje que o sistema Deter identificou 400 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal em setembro de 2009. Quase tudo dividido entre Pará e Mato Grosso, que voltou a liderar as estimativas com destruição na ordem de 134 quilômetros quadrados. Mas o Pará, que ficou logo atrás com 132 km2 de desmate, pode ter tido uma contribuição maior, já que 28% do estado não puderam ser analisados porque estavam cobertos por nuvens.

O INPE revela que Mato Grosso aumentou seu índice de destruição da floresta dos 105 km2 de agosto para os 134 km2 de setembro. As nuvens não atrapalharam a avaliação em nenhum dos dois meses. Já o Pará reduziu de forma mais significativa sua contribuição, uma vez que em agosto havia desmatado 301 km2.

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Em setembro, Rondônia ficou na terceira colocação com 70 km2 de desflorestamento, quase tudo concentrado ao longo da rodovia Porto Velho-Rio Branco, no eixo da construção das barragens de Santo Antônio e Jirau.

O Inpe disponibilizou também uma avaliação do desmatamento nas áreas em que existem bases operativas do Plano de Combate ao Desmatamento do governo federal e os dados mostram que Altamira (PA) e Porto Velho (RO) foram os municípios com maiores extensões de floresta cortada, 47 km2 e 46km2 respectivamente. Mas somando as áreas que não são cobertas pelas equipes de fiscalização do Ibama, foram constatados 100 km2 de desmatamento na Amazônia. No acumulado do ano (janeiro a setembro de 2009), a Amazônia contabilizou 2.856 quilômetros quadrados de desmate, 1408 km2 no Pará e 891 km2 em Mato Grosso. Os números mostram que o estado de Blairo Maggi, comparado ao de Ana Julia Carepa, está mais empenhado em deixar o ranking do maior desmatador da Amazônia.

De acordo com o pesquisador Laurent Micol, do Instituto Centro de Vida (ICV), é preciso verificar os números em campo e diferenciar o que é desmatamento do que é degradação progressiva da floresta para entender melhor essa dinâmica. Há alguns meses, Mato Grosso está despontando como líder em degradação. “A degradação pode ser precursora do desmatamento e geralmente é”, explica Micol. O ideal seria que os estados organizassem ações fiscalizatórias mês a mês, assim como é feito o monitoramento por satélite. “Mas indepentemente disso, é um sinal desfavorável, especialmente nesse momento em que Mato Grosso acaba de lançar seu plano de controle do desmatamento e anunciar suas metas de redução”. O governo estadual divulgou em outubro que até 2010 quer ver desmatamento ilegal zero em Mato Grosso.

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