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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou hoje que o sistema Deter identificou 400 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal em setembro de 2009. Quase tudo dividido entre Pará e Mato Grosso, que voltou a liderar as estimativas com destruição na ordem de 134 quilômetros quadrados. Mas o Pará, que ficou logo atrás com 132 km2 de desmate, pode ter tido uma contribuição maior, já que 28% do estado não puderam ser analisados porque estavam cobertos por nuvens.
O INPE revela que Mato Grosso aumentou seu índice de destruição da floresta dos 105 km2 de agosto para os 134 km2 de setembro. As nuvens não atrapalharam a avaliação em nenhum dos dois meses. Já o Pará reduziu de forma mais significativa sua contribuição, uma vez que em agosto havia desmatado 301 km2.
Em setembro, Rondônia ficou na terceira colocação com 70 km2 de desflorestamento, quase tudo concentrado ao longo da rodovia Porto Velho-Rio Branco, no eixo da construção das barragens de Santo Antônio e Jirau.
O Inpe disponibilizou também uma avaliação do desmatamento nas áreas em que existem bases operativas do Plano de Combate ao Desmatamento do governo federal e os dados mostram que Altamira (PA) e Porto Velho (RO) foram os municípios com maiores extensões de floresta cortada, 47 km2 e 46km2 respectivamente. Mas somando as áreas que não são cobertas pelas equipes de fiscalização do Ibama, foram constatados 100 km2 de desmatamento na Amazônia. No acumulado do ano (janeiro a setembro de 2009), a Amazônia contabilizou 2.856 quilômetros quadrados de desmate, 1408 km2 no Pará e 891 km2 em Mato Grosso. Os números mostram que o estado de Blairo Maggi, comparado ao de Ana Julia Carepa, está mais empenhado em deixar o ranking do maior desmatador da Amazônia.
De acordo com o pesquisador Laurent Micol, do Instituto Centro de Vida (ICV), é preciso verificar os números em campo e diferenciar o que é desmatamento do que é degradação progressiva da floresta para entender melhor essa dinâmica. Há alguns meses, Mato Grosso está despontando como líder em degradação. “A degradação pode ser precursora do desmatamento e geralmente é”, explica Micol. O ideal seria que os estados organizassem ações fiscalizatórias mês a mês, assim como é feito o monitoramento por satélite. “Mas indepentemente disso, é um sinal desfavorável, especialmente nesse momento em que Mato Grosso acaba de lançar seu plano de controle do desmatamento e anunciar suas metas de redução”. O governo estadual divulgou em outubro que até 2010 quer ver desmatamento ilegal zero em Mato Grosso.
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