Nesta quarta-feira, o secretário da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, concedeu a primeira entrevista coletiva depois da Conferência de Copenhague. Apesar do ar de fracasso de dezembro passado, ele fez questão de ressaltar três resultados que considerou relevantes. Segundo de Boer, Copenhague teve o mérito de elevar a discussão sobre mudança climática ao mais alto escalão dos governos, houve consenso de que as emissões devem ser reduzidas no longo prazo e há mecanismos disponíveis hoje para iniciar ações de rápida implementação nas áreas de mitigação e adaptação. “Copenhague não nos deu um bolo pronto, mas agora os países têm todos os ingredientes para fazê-lo na COP16, no México”, declarou de Boer. “É verdade que não houve consenso, mas é também verdade que os países que representam 80% das emissões mundiais entraram em acordo”, lembrou, se referindo aos países ricos e ao grupo BASIC (Brasil, África do Sul, India, China), além dos Estados Unidos.
Embora não tenha havido consenso na construção de um acordo forte com compromissos mais sérios em relação às emissões de gases de efeito estufa, de Boer defendeu que o Acordo de Copenhague é uma ferramenta política que dará apoio à solução de questões que ficaram em aberto. Um desses pontos tem a ver com os mecanismos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), que até certo ponto da conferência era a área que mais avançava nas negociações. “A estrutura desse ponto não foi finalizada em Copenhague, então hoje dentro da convenção do clima ainda não há nenhum instrumento que garanta recursos para REDD especificamente”, disse. Em relação aos recursos para ações imediatas em países pobres, de Boer afirmou que não é necessário esperar por novos encontros, pois o montante de 30 bilhões de dólares já faz parte do orçamento dos países ricos, e através de instituições já existentes poderão servir às ações de mitigação e adaptação até 2012.
O secretário explicou que até o dia 31 de janeiro os países membros da convenção foram convidados a informar quais serão suas metas de redução de gases e seus planos de ação para diminuir as emissões (no caso de países em desenvolvimento), para que seja possível finalizar o relatório da Conferência de Copenhague. Segundo ele, colaborar com esse painel não significa assinar ou concordar com os termos do acordo, mas apenas “associar-se” a ele. No próximo sábado, 24 de janeiro, representantes do grupo BASIC vão se reunir na Índia para discutir o futuro das negociações, na intenção de firmarem-se como grupo líder do processo.
Leia mais:
Cobertura completa de O Eco na 15ª Conferência do Clima, em Copenhague.
Assista aqui trechos da entrevista (em inglês)
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