![]() |
O Imazon publicou nesta quarta-feira seu tradicional boletim Transparência Florestal, com dados sobre desmatamento na Amazônia detectados pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) em dezembro de 2009 e em janeiro de 2010. A novidade é que agora o instituto passou a incluir no boletim informações sobre a quantidade de carbono emitida a partir desses desmatamentos, uma ferramenta a mais para orientar ações do poder público sobre os locais em que a conversão de florestas em áreas abertas representa altos índices de emissões.
Apesar da forte cobertura de nuvens, que impediu avaliação do desmatamento na Amazônia em 50% de sua extensão, o SAD enxergou uma perda de pelo menos 16 km2 de florestas em dezembro de 2009 (68% a menos do que no mesmo mês de 2008). O estado que mais desmatou nesse mês foi Mato Grosso, seguido do Pará. Em janeiro de 2010, o desmate foi de 63km2 (26% a mais do que em janeiro de 2009). Nesse mês Roraima e Mato Grosso dividiram o primeiro lugar no ranking dos que mais destruíram a floresta. Levando os dois meses em consideração, a área degradada foi de 61km2. A vasta maioria ocorreu também em Mato Grosso.
No acumulado de agosto de 2009 a janeiro de 2010, o corte foi de 836 km2. Isso é 22% superior ao desempenho no período anterior, mas representa uma redução no corte em Mato Grosso (-35%) e Tocantins (-98%), e um incremento em Roraima (+545%), Acre (+503%), Rondônia (+90%), Amazonas (+59%) e Pará (+23%). Essa área desmatada provocou a emissão de 13,8 milhões de toneladas de carbono (liberadas por queimadas e decomposição florestal). A quantidade de carbono emitida é 41% maior do que no período de agosto de 2008 a janeiro de 2009. Ou seja, emitiu-se quase o dobro de carbono esperado se comparado a área devastada, o que revela que desmatamentos mais modestos podem representar grandes emissões, dependendo da densidade da biomassa que se perde.
De acordo com o que foi apurado, o Imazon considera que o desematamento esteja ocorrendo em áreas com maiores estoques de carbono.
Em dezembro último, as áreas que mais sofreram com desmatamentos foram a Calha Norte do Pará, a região da BR-163 e a porção central de Mato Grosso. Em janeiro deste ano, o corte se concentrou em Roraima, na região do Xingu (MT), novamente na Calha Norte e ao longo da rodovia Transamazônica (BR-230).
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Interesses da mineração barram área protegida no norte de Minas
Proposta de unidade de conservação em ambiente raro do Cerrado onde vivem comunidades tradicionais é vetada após pressão política alimentada por promessa bilionária da Vale →
Economista sugere criação de ‘pix climático’ para famílias afetadas por enchentes e deslizamentos
Proposta surgiu durante encontro promovido pela ong RioAgora.org, que reuniu especialistas para debater propostas para os candidatos ao governo do RJ →
O que está em jogo com a crise da moratória da soja
STF convoca audiência de conciliação em abril, em meio ao enfraquecimento do acordo que ajudou a conter o desmatamento na Amazônia nas últimas duas décadas →



