Reportagens

A vez do Mato Grosso

MPF avisa: frigoríficos que compram carne oriunda de desmate serão autuados. População não tem acesso a produtos inspecionados

Redação ((o))eco ·
16 de abril de 2010 · 16 anos atrás

Dia 19 termina o prazo dado pelo Ministério Público Federal para que os frigoríficos de Mato Grosso deixem de comercializar carne oriunda de propriedades envolvidas com desmatamento ilegal. Os representantes dos três maiores frigoríficos no estado, JBS-Bertin, Marfrig e Independência, já foram avisados que a partir da semana que vem quem não se comprometer estará sujeito a infrações. A experiência segue o exemplo aplicado no Pará, estado que sofreu impactos expressivos por parte de grandes fornecedores varejistas, após verem seus nomes ligados a frigoríficos que contribuiam com o desmate na Amazônia.

Depois de diversas reuniões com procuradores federais, as cláusulas do termo de ajustamento de conduta foram flexibilizadas visando a inclusão dos frigoríficos. Eles pediram (e foram atendidos) extensão do prazo de seis meses para um ano até que disponibilizem na internet a seus clientes as informações sobre localização das propriedades rurais que fornecem o rebanho comercializado. O MPF também aceitou não encaminhar recomendações ou ajuizar ações judiciais contra as empresas que cumprirem o acordo. Além do envolvimento com o desmate, o termo determina que os frigorífios também não recebam gado de fazendas que exploram mão-de-obra em condições análogas à escravidão, que estejam situadas em undidades de conservação, terras indígenas ou quilombolas, e que tenham tido áreas embargadas pela secretaria estadual de meio ambiente ou Ibama.

Mato Grosso tem mais de 27 milhões de cabeças de gado e uma população que não ultrapassa 3 milhões de pessoas. No discurso dos políticos, a pecuária é importante não só para incrementar a economia do estado, mas para alimentar o mundo. Lamentavelmente, essa carne não alimenta os mato-grossenses. No início de abril, circularam notícias de que na região de Cuiabá, que concentra dois terços da população, 70% da carne consumida sequer passa por inspeção sanitária.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
13 de março de 2026

Quem são os atingidos por desastres?

Há mais de dez anos desde o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais (MG), faltam informações e sobram consequências

Notícias
13 de março de 2026

Nascimento de filhote de harpia em reserva da Bahia é comemorado pela Ciência

Desde 2018 não eram registrados nascimentos na unidade. Filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é passo importante para evitar extinção

Salada Verde
13 de março de 2026

Em homenagem ao cão Orelha, governo aumenta multa para quem maltrata animais

Novo decreto amplia de R$500 para R$ 1.500 valor da multa mínima em caso de maus tratos aos animais. Governo também estabeleceu a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.