Olhando de fora, o desmatamento nas florestas tropicais brasileiras impressiona pelas dimensões. Mas um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Science (PNAS) mostra que países como Canadá e Estados Unidos apresentaram, de 2000 a 2005, percentuais de corte de matas nativas (comparados ao que resta em cada nação) superiores à nossa média, que era, aliás, bem mais alta do que hoje em dia.
No mundo inteiro, foram perdidos mais de um milhão de quilômetros quadrados de florestas entre 2000 e 2005, sendo que 30% de tudo que foi dizimado ocorreram na América do Norte. Somando com a América do Sul, o continente inteiro foi responsável por metade da devastação no período. Em compensação, a Africa foi o continente que menos desmatou.
Levando em consideração os sete países do mundo que têm ainda mais de um milhão de km2 de florestas (Rússia, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Indonésia, China e República Democrática do Congo), o Brasil foi o que mais perdeu florestas entre 2000 e 2005, cerca de 165 mil km2 em números absolutos, sem contar prejuízos com degradação florestal. Isso quer dizer cerca de 3.6% de tudo que havia em 2000, o mesmo índice da Indonésia.
O Canadá veio logo atrás, perdendo nos cinco anos analisados 160 mil km2 de florestas nativas, representando 5.2% de sua cobertura original. Mas os Estados Unidos desmataram em cinco anos 6% de seu patrimônio florestal, maior índice dos sete países, ainda que em termos absolutos o corte tenha ficado na casa dos 120 mil km2. Incêndios florestais, infestação de insetos no Alasca e no oeste do país estão entre as explicações para o resultado americano, que também sofreu com o impacto de grandes madeireiras no sudeste e no meio oeste.
Mesmo fora do ranking principal, o estudo destaca desmatamentos em larga escala na Malásia por causa da plantação de palma, Paraguai e Argentina por pressões de agricultura e Austrália, em função de queimadas.
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