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À medida que o fim do ano se aproxima, as retrospectivas tomam conta dos noticiários e até das reflexões pessoais, com as promessas de ano novo. O Royal Botanic Gardens (Jardins Botânicos Reais, mais conhecido como Kew Gardens) não ficou atrás e, nas vésperas do encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade (eleito pelas Nações Unidas), celebrou a diversidade do planeta e as descobertas feitas das florestas tropicais camaronesas até os montes peninos ingleses – desde novas espécies para a ciência até outras reencontradas na vida selvagem após anos consideradas extintas.
De acordo com o professor Stephen Hopper, diretor do Royal Botanic Gardens, em média duas mil espécies de plantas são descobertas a cada ano. A instituição que ele representa, por sua vez, é responsável por 10% deste total, em um trabalho conjunto com cientistas e parceiros locais. Na conjuntura atual de mudanças climáticas e perda de habitats naturais, este esforço torna-se ainda mais importante.
Entre as descobertas durante 2010, encontra-se a árvore gigante Magnistipula multinervia, descrita por Xander van der Burgt, caçador de plantas do Kew, como a mais rara árvore que ele já achou em sua vida. Com 41 metros, este imponente exemplar da flora do Parque Nacional de Korup (Camarões) está criticamente ameaçado de extinção. Além dela, destaca-se o conjunto de três espécies do gênero Mastigostyla, avistadas nas montanhas secas e vales dos Andes bolivianos.
Um dos melhores momentos da relação, no entanto, fica por conta de uma bromélia brasileira (Alcantarea hatschbachii) famosa por suas belas flores verdes. Descoberta pela primeira vez em 1975, em Minas Gerais, ela nunca mais fora avistada após sua única coleta na década em questão. Comumente indicada como extinta, a planta foi reencontrada nesta temporada pelo Toucan Cipó Conservation Project, do Kew, no mesmo estado.
Confira, aqui, um mapa dos pontos de maior perigo para a flora no planeta.
(Felipe Lobo)
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