
Esse sentimento bom de criar sua própria energia, tenho certeza, é algo que outras pessoas no Reino Unido gostariam de experimentar. Em todas as regiões do país, milhares de pessoas estão se juntando para encontrar formas de gerar energia renovável. Eles estão unindo recursos, sejam estes um campo, um telhado, jardim ou até um riacho, para compartilhar maneiras diferentes de produzir energia renovável para suas comunidades.
Aprendi em outros projetos em que me envolvi, como a Campanha Fish Fight e no nosso site de Landshare (Plantações Compartilhadas), que quando você consegue unir as pessoas, comunidades, ONGs e empresas simpáticas à causa, grandes mudanças podem acontecer. E, francamente, mudar a forma como produzimos nossa energia, para que o processo não esgote os recursos do planeta e estrague o clima, é um processo tão grandioso quanto urgente.
Entretanto, seja qual for o jeito, temos que começar. E é por isso que estou satisfeito de me envolver em um sistema chamado Energyshare (Energia Compartilhada). Ele foi lançado há apenas um ano com o objetivo específico de ajudar grupos locais, instituições de caridade, associações para habitação e outros do gênero que querem produzir a sua própria energia renovável, vários em uma escala substancial.
Para tornar o projeto realidade, tivemos que primeiro respirar fundo e, em seguida, nos associarmos a British Gas – um plano temerário em alguns aspectos, pois a empresa não é conhecida por suas credenciais ambientalistas ou o seu comprometimento com energias renováveis. Mas penso que só resolveremos problemas dessa magnitude se estivermos preparados para trabalhar com os grandões do setor de energia. Através do seu projeto Green Streets (Ruas Verdes), a British Gas mostrou reconhecer que comunidades são uma força poderosa para apoiar quem quer poupar energia e produzir sua própria energia renovável.
A Energyshare já obteve sucessos inspiradores. Entre eles, a fazenda eólica Westmill – de propriedade comunitária que provê eletricidade a 2.500 residências –; ou o hospital da universidade de South Manchester, reconhecido oficialmente como o mais verde da Inglaterra, que reduziu em 26% seu consumo de energia e já começou a produzir uma parte da energia que consome. Um centro administrativo em Devon que gera sua própria energia com uma pequena turbina eólica combinada a painéis solares, e vende o excedente da energia que produz, reduziu seu custo de operação em 90%, e gerou renda. Escolas, clubes, pubs, asilos, centros administrativos, igrejas e ruas residenciais, todos estão se envolvendo.
O sucesso de muitos projetos comunitários depende da tarifa especial do governo (feed-in tariff), a qual subsidia a geração de energia verde. Até agora, essa foi uma das melhores coisas que aconteceu para apoiar a geração de energia renovável em pequena escala. Digo ‘até agora’ porque, infelizmente, esse fonte de renda que motiva e possibilidade projetos está ameaçada de perder mais da metade das alíquotas pagas a instalações de renováveis em pequena escala.
Porém, espero que as tarifas para projetos de energia comunitária sejam protegidas. E depois de ouvir o nosso ministro de mudanças climática, Greg Barker, dizer no rádio, recentemente, que está analisando essa opção, estou impaciente para vê-lo agir. Esse governo prometeu ser o mais verde de todos os tempos. E uma forma de garantir que a atual crise econômica não os obrigue a quebrar essa promessa é apoiar com toda a força a energia comunitária.
Você pode votar no site do EnergyShare para decidir qual dos quatro projetos comunitários receberá até 100 mil libras de financiamento. A votação termina no domingo.
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