Reportagens

O retorno dos caminhos coloniais

Projeto da Transcarioca recupera trechos antigos da época das monoculturas e convida o visitante a percorrer um pedaço da história.

Duda Menegassi ·
11 de dezembro de 2012 · 14 anos atrás
Antiga construção: a ruína da Caveira. (Fotos: Duda Menegassi)
Antiga construção: a ruína da Caveira. (Fotos: Duda Menegassi)

O Parque Nacional da Tijuca não tem só belezas para mostrar, mas histórias para contar. A maioria delas data do período colonial, quando os engenhos eram o cenário para os escravos, fazendeiros e membros do império, personagens de um passado que ainda se faz presente no Parque. As ruínas são só uma parte mais visível do que ficou, porém por todo o Parque existem antigos caminhos que eram usados para passagem de carroças, trabalhadores, assalariados ou não, e até personagens célebres, como o Major Archer, responsável pelo primeiro reflorestamento do Parque, em 1861.

Esses caminhos coloniais ligam toda a Floresta da Tijuca, mas muitos deles não são usados e foram abraçados novamente pela mata, que os esconde e os faz cair no esquecimento. O espírito da Transcarioca é resgatar essas trilhas herdadas e recuperá-las para torná-las aptas para uso público.

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O trabalho é achar esses trechos e colocá-los no mapa. Para isso, quase não é necessário abrir trilhas, de fato, mas sim recuperá-las e demarcá-las, para poder oficializar com as pegadas amarelas que ali é um percurso da Transcarioca. “Basicamente a Transcarioca é recuperação de trilhas antigas e conexão entre algumas delas” explica Ernesto Castro, Chefe do Parque Nacional da Tijuca.

Com o tempo a floresta se projeta sobre os antigos caminhos
Com o tempo a floresta se projeta sobre os antigos caminhos

O pouco uso desses caminhos exigem cuidados. Às vezes devido ao longo tempo abandonadas elas são apagadas pela floresta cada vez mais para o canto, até sobrar apenas uma estreita trilha à beira da encosta. Isso torna a passagem dos visitantes mais perigosa, além de causar deslizamentos e ser mais erosivo. Por isso é preciso abrir a trilha novamente para o lado da montanha.

Outro cuidado no manejo desses trechos é a sinalização. Em bifurcações ou áreas que podem gerar confusão no visitante, a seta e a pegada amarela precisam estar ao alcance da vista. “A sinalização tem que ser feita com o olhar do visitante” explica Ernesto. “A sinalização tem tanto a questão de bifurcações, áreas em que há dúvida, mas também a marcação que a gente chama de tranquilizadora. De tempos em tempos, mesmo que não tenha uma bifurcação é interessante ter uma sinalização para que a pessoa se certifique de que ela está na trilha certa”.

A sinalização garante que os visitantes só possam perder o fôlego, mas não a trilha.
A sinalização garante que os visitantes só possam perder o fôlego, mas não a trilha.

Ficar perdido só vale se for para se perder nas páginas e pegadas dessa história de muitos caminhos e pés.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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