Reportagens

Um passeio abreviado no Parque Municipal de Grumari

A natureza convida os visitantes a conhecer as praias selvagens, porém ainda falta manejo nas trilhas para levá-los até lá.

Duda Menegassi ·
14 de janeiro de 2013 · 11 anos atrás
A praia de Grumari, vista da pista de pouso. Foto: Duda Menegassi
A praia de Grumari, vista da pista de pouso. Foto: Duda Menegassi

A área do Parque Natural Municipal do Grumari (PNMG) guarda, além da praia que leva o nome do Parque, belas praias selvagens que, exatamente pela dificuldade de acesso – apenas por trilha ou barco – se mantiveram bem preservadas mesmo com o crescente avanço populacional na direção antes isolada do Recreio dos Bandeirantes. Além disso, mutirões de reflorestamento se ocuparam de recuperar as zonas de mata atlântica desmatadas. Esse trabalho ainda hoje toma espaço na sede do Parque de Grumari, onde existe um viveiro em que são cultivadas as mudas usadas para reflorestar as áreas que ainda estão em estado de recuperação ambiental.

Os esforços agora se voltam também para a adequação de suas trilhas ao uso público e para a recepção de visitantes. A própria sede do Parque Municipal de Grumari será adaptada em Centro de Visitantes, e será um ponto de apoio para os que irão percorrer a Transcarioca. A estrutura atual já conta com uma grande quantidade de banheiros e um auditório. As trilhas em si, entretanto, necessitam de uma intervenção maior.

O percurso oficial da Transcarioca vem de Barra de Guaratiba e passa pelas praias selvagens até descer em Grumari. Essa descida na praia tem duas opções de traçado, ainda em aberto. Pode ser feita por dentro, caminho normalmente usado por quem quer fazer essa trilha, ou pela cumeeira, que costeia o mar e depois encontra com a trilha original das praias. A princípio a ideia é abrir a trilha pela cumeeira, pois oferece mais paisagens e atrativos para os visitantes. Hoje, entretanto, esse é um trecho de mata fechada, com poucos sinais visíveis de trilha e é pouco aconselhável se embrenhar no mato, pois há árvores com espinhos e obstáculos como bambuzais e bromélias gigantes.

A subida a partir da praia até a pista de voo improvisada que há no topo da pedra que se projeta ao mar é tranquila: uma trilha marcada pelos inúmeros pés que já passaram por ali. A partir da pista é que o caminho começa a complicar e se embrenhar cada vez mais num mato que não se abre à passagem humana. Minha própria tentativa frustrada de percorrer a cumeeira, acompanhada pelo chefe do Parque Natural Municipal do Grumari, Alexandre Chagas, serviu como ressalva para os perigos que há quando se ousa além do que a floresta lhe permite. Arranha-gato, paineira e o capim-navalha são exemplos de vegetação pouco amigável e que pode causar sérios cortes na pele.

Em meio ao desbravar da mata fechada, um descanso de plantas espinhentas, no que batizei de “campo outonal”. Foto: Duda Menegassi
Em meio ao desbravar da mata fechada, um descanso de plantas espinhentas, no que batizei de “campo outonal”. Foto: Duda Menegassi

Objetivo não alcançado de completar a trilha e conhecer as praias selvagens do Perigoso, do Meio, Funda e do Inferno. Ainda há tempo no prazo da Transcarioca, prevista para estar com todos os seus trechos devidamente manejados e próprios para os trilheiros que se aventurarem por ela até as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.
 

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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