Notícias

Gandarela: parque nacional já nasce recortado pela mineração

Unidade ficou menor para excluir área destinada à mineração da Vale, colada ao parque. Presidente do ICMBio considera criação positiva.

Daniele Bragança ·
15 de outubro de 2014 · 12 anos atrás

Serra da Gandarela. Foto:
Serra da Gandarela. Foto:

Entre preservar uma parte importante da Mata Atlântica mineira e a demanda por explorar a mineração, o governo federal preferiu o caminho do meio ao criar uma unidade de conservação vizinha a um grande projeto de mineração. Palco de disputa entre a Vale e os movimentos ambientalistas, o Parque Nacional da Serra do Gandarela nasceu ontem (14) dividido para atender tanto aos interesses preservacionistas quanto econômicos.

O parque, inicialmente projetado para ter 38,2 mil hectares, ficou com 31,2 mil. Foi excluída a área destinada para a extração do ferro, o projeto Apollo da Vale, que é orçado em R$ 4 bilhões . Se por um lado, a criação do parque impede a expansão da mineração para dentro da área, por outro a unidade de conservação nasce sabendo que será impactada por uma atividade altamente poluente. Era tudo que os ambientalistas temiam.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A evolução do projeto

Clique nas imagens para ampliá-las

Para Roberto Vizentin, presidente do ICMBio, a reformulação do projeto para excluir Apollo dos limites do parque foi um esforço para conseguir criar a unidade, avanço que por si só deve ser celebrado: “Nós somos ambientalistas, nós somos o ICMBio, claro que nós gostaríamos de um parque longe desse tipo de atividade econômica, sobretudo a mineração. Nós preferiríamos um parque sem nenhuma mina no seu entorno, mas a vida não é assim. A gente precisava fazer uma adaptação junto aos prefeitos, as lideranças. É uma região que preserva toda essa beleza natural, mas que tem um IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] muito baixo, então, não teríamos legitimidade e força política para criar o parque se não houvesse esse redesenho”, explica.

Vizentin afirmou que o projeto de excluir Apollo dos limites do parque já constava no mapa apresentado durante as audiências públicas. “O parque criado não é o parque proposto pelo movimento pró-Gandarela e outros. Ele é resultado de um processo de construção, negociação, audiências públicas e participação com diversos atores”.

O Movimento Águas de Gandarela, que participou da formulação do pedido de criação da unidade no local desde 2009, quando ela foi proposta ao ICMBio, jamais aceitou esse desenho para criar o parque unidade. Em 2013, a repórter Fabíola Ortiz contou ao ((o))eco essa batalha, que chegou ao fim com a vitória do meio termo.

 

 

Saiba Mais
Decreto de criação – Parque Nacional da Serra do Gandarela

Leia Também
Dilma abre a gaveta e cria mais dois parques nacionais
Em plena campanha, Dilma cria novas UCs na Amazônia
Criação do Parque Nacional Serra do Gandarela em perigo

 

 

 

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
18 de maio de 2026

Mato Grosso ganha roteiro que une ciência, conservação, turismo – e primatas!

Projeto integra turismo científico e conservação da biodiversidade em rota que percorre sete localidades no estado em busca de 15 espécies de macacos

Salada Verde
18 de maio de 2026

Estudo mostra a importância de área de conservação para abelhas sem ferrão

Pesquisa aponta a capacidade de adaptação dessas abelhas, que utilizam áreas verdes urbanas, como muros e monumentos, para garantir a reprodução da flora

Colunas
18 de maio de 2026

Como a proibição da queima da cana em São Paulo impulsionou o desenvolvimento econômico e social

Estudo inédito mostra que regulações ambientais bem desenhadas podem acelerar inovação e empurrar cadeias produtivas para modelos mais eficientes

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.