O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) participou ontem, em Porto Velho (RO), da retirada de gado da Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro. A megaoperação, deflagrada há duas semanas, envolve 187 agentes do Ibama, Instituto Chico Mendes (ICMBio), Incra e Exército. Ponto para ele. No entanto, os 3,5 mil moradores irregulares da flona devem continuar por lá. Segundo informe oficial, a ação “visa manter quem está na região, mas proibindo-se o ingresso de qualquer novo ocupante, obrigando a retirada das 35 mil cabeças de gado ilegal e proibindo qualquer desmatamento”.
Há poucos dias, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) afirmou que a saída daquelas populações seria negociada. Ainda conforme o órgão, agora haverá fiscalização constante em dez acessos à flona e serão construídas guaritas em estradas regionais, para evitar a entrada de mais pessoas. Também prometeu levar atividades econômicas aquelas famílias, acostumadas a criar gado e desmatar.
Segundo Ivaneide Pereira Cardozo, coordenadora do Instituto Kanindé, que trabalha pela defesa do meio ambiente e de povos indígenas de Rondônia, a ação governista está “fadada a dar errado”. Para ela, será praticamente impossível fiscalizar todos os limites da unidade. “Ao permitir que as pessoas fiquem dentro da flona, o MMA está dando uma declaração de que invadir unidades de conservação é lucrativo. Minc, como ministro, deveria ser o primeiro a exigir o cumprimento da lei. É um descalabro que isso tenha acontecido”, disse.
Além disso, Ivaneide acredita que o governo não conseguirá convencer os pecuaristas que estão dentro da unidade a retirar seu gado e migrar para atividades sustentáveis tão facilmente. “As pessoas que estão lá, quando entraram, sabiam que era ilegal. E se não sabiam na hora da ocupação, ficaram sabendo depois”, argumenta.
Leia mais:
Dramas do passado prejudicam Bom Futuro
Desmate em Rondônia
Sem saída
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
A nova fronteira do crime organizado está na Amazônia
Estudo revela que atividades ilegais e facções impulsionaram quase 19 mil homicídios, reposicionando a violência no interior do Brasil →
Pressão minerária cerca terras indígenas em Mato Grosso e acende alerta
Estudo aponta avanço de processos no entorno de Terras Indígenas, riscos a povos isolados e fragilidades no licenciamento →
De saída no MMA, Marina faz balanço dos últimos 3 anos e ‘passa’ o bastão para Capobianco
Ministra destaca queda do desmatamento, reconstrução institucional e aposta na continuidade da agenda ambiental sob comando do ex-secretário executivo →

