Salada Verde

Da extinção dos rinocerontes

Enfraquecimento de medidas repressivas e corrupção elevam ameaças a populações exíguas no Zimbábue e África do Sul. Tudo alimentado por "tradições".

Salada Verde ·
2 de dezembro de 2009 · 16 anos atrás
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Rinoceronte de Sumatra, marcado para morrer. Foto: Rhett A. Butler
Rinoceronte de Sumatra, marcado para morrer. Foto: Rhett A. Butler

Uma China mais rica criou um mercado insaciável, principal motor da extinção dos rinocerontes, tigres, ursos, tartarugas, tubarões e dezenas de outras espécies que têm o azar de figurar na farmacopéia e gastronomia “tradicionais” de lá. Vale ressaltar que chifres de rinoceronte, pênis de tigre e afins não possuem propriedades medicinais atestadas cientificamente.

Os rinocerontes sofreram grande crise nos anos 1980-90, quando o Yemen se tornou um grande mercado (os chifres se tornavam cabos de adagas tradicionais ostentadas pelos novos-ricos) e a máfia chinesa investia na extinção dos bichos, financiando quadrilhas de caçadores, comprando todos os chifres que surgissem no mercado  e acumulando-os à espera de uma valorização astronômica, quando os animais já não existissem. Isso resultou no declínio de algumas espécies em até 90% e extinções de várias populações.

Medidas de proteção como grupos paramilitares autorizados a matar os caçadores, a execução dos cabeças da máfia chinesa e medidas de manejo como translocações ajudaram a retardar o declínio. Mas desde 2006, populações de rinocerontes na África vivem uma nova crise, com centenas de animais mortos, especialmente no Zimbábue do ditador Robert Mugabe, que perdeu um quarto de seus rinocerontes em apenas 3 anos, e na África do Sul, onde 84 animais foram mortos apenas este ano.

Na raiz do problema está o declínio da repressão a caçadores ilegais, a corrupção por parte dos “agentes da lei”, incluindo funcionários de alto escalão, e o valor crescente dos chifres de rinoceronte, que já valem mais que seu peso em ouro. O resultado é a extinção de populações distintas, como o rinoceronte negro da África Ocidental, visto pela última vez no Camarões, em 2006.

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