Salada Verde

Discrepâncias anfíbias

Estudo e ONG internacional alertam sobre falha no controle do comércio internacional de sapos das américas do Sul e Central.

Salada Verde ·
1 de abril de 2010 · 16 anos atrás
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Dendrobates auratus é a espécie mais citada no relatório. foto: Chris Martin Bahr / WWF-Canon
Dendrobates auratus é a espécie mais citada no relatório. foto: Chris Martin Bahr / WWF-Canon
Baseada em um estudo de Vincent Nijman (Oxford Wildlife Trade Research Group) e Chris Shepherd (Traffic Southeast Asia) publicado na revista Biodiversity and Conservation (veja aqui), a ong internacional Traffic distribuiu hoje uma nota alertando sobre “diferenças suspeitas” entre os números oficialmente informados à convenção das Nações Unidas sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites) e a comercialização de sapos venenosos nativos das américas do Sul e Central entre 2004 e 2008.

O Kazaquistão, por exemplo, diz não ter comercializado nenhum anfíbio naqueles anos, enquanto a Tailândia informa ter importado mais de 2.500 sapos do país, via Líbano, que não faz parte da Cites.  Ou seja, os pesquisadores podem ter encontrado um meio usado por países importadores e exportadores driblarem o necessário controle internacional sobre o comércio de espécies ameaçadas.

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Ao todo, a análise encontrou mais de 63 mil sapos de 32 espécies comercializados no período. Cerca de um quinto encontrou destino em mercados asiáticos, como Japão, Tailândia e Taiwan. Cinco espécies estão na lista de animais globalmente ameaçados da União Internacional para Conservação da Natureza.

Muitos dessas anfíbios têm pele colorida como alerta a predadores (na natureza, cores fortes normalmente indicam venenos poderosos) e têm sido comprados como bichos de estimação na Europa, América do Norte e Ásia. A secreção da pele de algumas espécies é usada por indígenas em caçadas com dardos e flechas envenenadas. “A popularização de sapos venenosos como animais de estimação está colocando algumas espécies em risco ainda maior, com captura excessiva na natureza”, comentou Nijman.

Frente ao problema, os autores do estudo recomendam atenção redobrada por parte da Cites sobre o comércio internacional de espécies ameaçadas. 

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