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Quinze das mais importantes organizações ambientalistas não governamentais brasileiras são signatárias de uma nota em apoio à greve dos servidores. Ela foi entregue à Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso, à espera de alguma providência. “O descaso do governo federal para com as carreiras ambientais constitui a derradeira e inequívoca evidência de que presenciamos uma crise inaceitável na política socioambiental brasileira, em pleno Ano Internacional da Biodiversidade”, diz um trecho da nota, que não se encerra apenas neste assunto.
Ela serviu como uma luva para situar o contexto da greve, enumerando projetos de crescimento econômico que vão na contramão dos preceitos mais básicos de proteção ao meio ambiente, como a permissividade do governo ao desmonte do Código Florestal, enfraquecimento do zoneamento ecológico-econômico como instrumento de planejamento, proposta de eliminar poder normativo do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e de supressão do executivo à criação de unidades de conservação, obrigando sua homologação pelo poder legislativo.
A nota também cobra a revisão do Plano Nacional de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, prevista para o primeiro semestre de 2008 pela Casa Civil. Além disso, as organizações criticam a defesa exaltada e publicitária do Programa de Aceleração do Crescimento, que em nenhuma de suas versões contém planejamento indicativo de fortalecimento da gestão ambiental, o que garantiria sustentabilidade às obras de infraestrutura. E ainda denunciam o bloqueio da Casa Civil à criação de novas áreas protegidas, atendendo aos interesses do Ministério de Minas e Energia para realização de estudos de prospecção em áreas consideradas prioritárias para conservação da biodiversidade.
No dia 26, os grevistas fizeram um buzinaço em frente ao bloco K da Esplanada dos Ministérios, onde fica o gabinete do Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que prometeu receber lideranças para continuar a negociação. De acordo com o comando de greve, em Brasília, os servidores estavam impedidos de verificar a previsão de seus contracheques até o dia 25 de abril, domingo, por determinação do MPOG. Descobriram, naquele momento, que o governo estava cortando o ponto dos grevistas desde o começo das manifestações.
Leia a nota aqui.
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