
Começou hoje o segmento de alto nível da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, com a presença dos chefes de Estados e Governo de 193 países. Até sexta-feira, os líderes mundiais discutirão o texto-base acordado ontem. A expectativa que rondava o Riocentro nesta quarta-feira (20) era de alguma ação que pudesse dar mais substância ao texto sobre desenvolvimento sustentável, mas o que se verificou é que provavelmente eles só vieram para tirar a foto oficial. O texto está pronto e não será reaberto.
“Esse é o documento, o texto está negociado e concluído”, afirmou contundente o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, principal estrategista das negociações brasileiras, ao explicar que os líderes políticos não discutirão o acordo feito pelos diplomatas. Faltou justificar o que eles vieram fazer aqui, então.
O Brasil se vangloria de ter restaurado o espírito do multilateralismo. Críticas à condução do processo? Não houve, afirmou o embaixador. A pergunta sobre países que criticaram o Brasil pedindo mais ousadia no documento, ele respondeu com a crítica: faltou financiamento das metas de desenvolvimento sustentável. A resposta foi endereçada à Europa. “Não pode exigir ambição de ação, quem não tem ambição de financiamento, quem exige ação de ambição sem colocar dinheiro na mesa está sendo, no mínimo, incoerente”, disse o embaixador.
A ministra Izabella Teixeira, que participava da coletiva, concordou com a cabeça e afirmou que no final da Rio-92 as manchetes dos jornais também eram todas pessimistas. Chegou a ler algumas, afirmando que é natural os jornais refletirem negativamente as decisões tomadas, que só podem ser mensuradas no futuro. “É uma conferência de partida, é uma conferência que define novos caminhos para agir em médio e longo prazo, com critério do que seja economia verde. É um conjunto de decisões, um texto cheio de detalhes e as pessoas ainda não tiveram tempo de se dedicar a ler com cuidado”, afirmou a ministra.
As decisões amarradas nas negociações ficarão para 2015, quando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável tomarão o lugar dos Objetivos do Milênio, e servirão de metas para a construção de um futuro sustentável. Isso se até lá o acordo não for por água abaixo em nome do multilateralismo.
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