Salada Verde

Após investigação do Ibama, empresa de Celulose perde selo mundial

Jari Celulose é acusada de extração ilegal de madeira e violação de direitos humanos. Empresa se defende e diz que vai buscar certificado novamente

Sabrina Rodrigues ·
13 de maio de 2019 · 7 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Empresa foi punida por causa da comercialização indevida de créditos e dos danos ambientais às margens do rio (Foto: Divulgação/ Ascom Ibama). Foto: Divulgação/ Ascom Ibama.

A diretoria da FSC International (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) – sistema de certificação florestal de maior credibilidade internacional –, desassociou a Jari Celulose de seu grupo, após uma investigação sobre o envolvimento da empresa na extração ilegal de madeira e violação dos direitos de comunidades extrativistas no Pará e no Amapá. A divulgação foi feita no mês de abril no site da certificadora.

No outro documento  divulgado pela FSC sobre as investigações contra a Jari, a fraude consistia em apresentar informações falsas ao Sistema Florestal de Controle de Produtos do Brasil (SISFLORA), levando ao “comércio virtual” de 5.070.653 m³ de créditos florestais indevidos. A Jari foi, portanto, considerada “cúmplice na lavagem de madeira, superestimando até 30% de seus volumes de madeira, levando a exceder os créditos florestais e a superexploração dos recursos florestais”, informa o documento. Além disso, a Jari comprou e colheu madeira de unidades de manejo florestal envolvidas em atividades ilegais e duvidosas de extração de madeira.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“Depois de analisar todas as evidências e realizar uma visita de campo e entrevistas detalhadas com as partes interessadas, o grupo determinou que a Jari estava envolvida na extração ilegal de madeira ou produtos florestais, e também falhou formal e consistentemente em reconhecer a existência de comunidades tradicionais dentro da área florestal, levando diretamente à violação dos direitos tradicionais e humanos nas operações florestais”, informa a FSC International em nota.

É a primeira vez que uma empresa é desassociada da FSC desde 2001, ano de instalação de um escritório no Brasil.

A FSC se baseou em uma investigação realizada em 2015 pelo Ministério Público Federal, a Polícia Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e a Justiça Federal sobre o envolvimento do Grupo Jari em um esquema de extração ilegal e fraude no estado do Pará. A FSC também fez visitas de campo às operações da empresa no Brasil. Realizaram entrevistas com representantes da empresa, e também com membros da comunidade afetados.

Segundo a FSC International a Jari Celulose não cumpriu os termos dos  acordos com as comunidades referentes ao reconhecimento dos direitos de posse e usou de violência contra membros da comunidade no processo de reivindicar e defender seus direitos de posse da terra.

Se a Jari Celulose quiser ligar-se à FSC International novamente terá que passar por um processo formal e demonstrar conformidade com as condições impostas pela certificação para acabar com a desassociação estipuladas pelo FSC.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a empresa se defendeu dizendo que foi enganada por fornecedores de madeira, mas que respeita a decisão do FSC e que a empresa buscará obter novamente o selo, principalmente para a principal atividade, produção de celulose solúvel, que usa eucalipto plantado como matéria-prima.

 

Saiba Mais

FSC disassociates from Jari_29-04-2019_Final

Public Summary of the Policy for Association Investigation_April 2019

 

Leia Também

Certificação e sustentabilidade florestal

A taça da certificação é nossa

Justiça ignora quilombolas e mantém certificação de extração de madeira

 

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
23 de fevereiro de 2017

Justiça ignora quilombolas e mantém certificação de extração de madeira

MPF pede a suspensão do selo FSC de duas madeireiras acusadas de desmatar área quilombola. Para os procuradores, as empresas fazem propaganda enganosa

Reportagens
22 de setembro de 2004

A taça da certificação é nossa

Pará amplia sua área de florestas certificadas e eleva o Brasil à condição de campeão latino americano de madeira produzida de forma ecologicamente correta.

Colunas
14 de agosto de 2007

Certificação e sustentabilidade florestal

Caso recente de peruanos que cortaram ilegalmente madeira do Brasil e a venderam até com selo verde mostra que legislação florestal é letra morta e planos de manejo utopia.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.