Cinco das oito ecorregiões de recifes de coral do Brasil estão em risco crítico de colapso, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O dado faz parte da primeira avaliação global da Lista Vermelha de Ecossistemas dedicada a esses ambientes, lançada durante a COP17 da Biodiversidade. O levantamento considera as mudanças observadas nos últimos 50 anos e as projeções de estresse térmico causado pelo aquecimento dos oceanos nas próximas cinco décadas.
Parrachos, Costa dos Corais, Atol das Rocas e Fernando de Noronha já eram classificados como Criticamente em Perigo (CR) devido às perdas registradas no período analisado. Abrolhos e Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, que estavam na categoria Em Perigo (EN), passaram para o nível Criticamente Ameaçado (CR) quando foram consideradas as projeções climáticas para os próximos 50 anos feitos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
As ondas de calor marinhas são apontadas como a principal ameaça aos recifes brasileiros. Eventos registrados especialmente em 2019, 2020 e 2024 provocaram estresse térmico severo, branqueamento e mortalidade de corais. A situação é agravada por outras pressões, como pesca excessiva, desenvolvimento costeiro, turismo, poluição por sedimentos e nutrientes, exploração de petróleo e gás, mineração, navegação e presença de espécies potencialmente invasoras, como os corais-sol e o peixe-leão.
“Os resultados mostram que três dessas ecorregiões já estavam em risco crítico pelo que aconteceu nos últimos 50 anos, e que as projeções colocam outras duas no mesmo patamar. Onde faltam dados, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco”, afirma Ana Lídia Gaspar, analista de Conservação do WWF-Brasil.
Os recifes brasileiros ocupam aproximadamente 1.100 km² e se estendem por quase 3 mil quilômetros da costa do Atlântico Sul. Apesar de representarem cerca de 0,6% da extensão global desses ecossistemas, abrigam espécies endêmicas e formações singulares, como os chapeirões do Banco dos Abrolhos e os recifes oceânicos do Atol das Rocas e de Fernando de Noronha. Outras três ecorregiões – Parcel de Manuel Luís, Semiárido e Queimada Grande – foram classificadas como Dados Insuficientes (DD), devido à falta de informações necessárias para determinar seu risco geral.
*Com Informações do WWF-Brasil
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