Uma iniciativa de R$ 17,86 milhões pretende recuperar e proteger recifes de coral em áreas do Nordeste brasileiro. O projeto A Virada dos Recifes de Coral, lançado pelo WWF-Brasil e pela Fundação Grupo Boticário, terá ações em Pernambuco, Bahia e Ceará, além de atividades em Maragogi, em Alagoas.
Os recifes estão entre os ecossistemas marinhos mais diversos do planeta e enfrentam ameaças. O aumento da temperatura dos oceanos pode provocar o branqueamento dos corais, enquanto a acidificação da água dificulta a formação de seus esqueletos calcários. Poluição, ocupação desordenada da zona costeira e turismo sem planejamento também pressionam esses ambientes.
O projeto reúne ações de conservação e restauração, pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias e incentivo ao turismo sustentável e a negócios ligados à conservação. O investimento é formado por R$ 8,59 milhões do Fundo Socioambiental do BNDES, R$ 5,48 milhões do WWF-Brasil e R$ 3,79 milhões da Fundação Grupo Boticário.
Os pesquisadores devem estudar as características genéticas desses organismos e testar técnicas de reprodução e recuperação. Entre as estratégias previstas estão a fertilização em laboratório, a criopreservação de gametas e larvas, a manutenção de corais em estruturas fora do ambiente marinho e a posterior reintrodução em áreas consideradas prioritárias. O projeto prevê ainda a criação de um banco de células e gametas de corais brasileiros.
Na Bahia, as ações se concentram no território dos Abrolhos Terra e Mar. O projeto pretende capacitar gestores e empreendedores para o turismo sustentável, estruturar roteiros de visitação e melhorar a sinalização e os materiais utilizados pelos visitantes.
A área reúne diferentes unidades de conservação, como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a APA Ponta das Baleias, o Parque Nacional do Descobrimento e o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal. Também estão incluídas as reservas extrativistas de Cassurubá, Corumbau e Canavieiras.
Em Salvador e Fortaleza, outra frente do projeto será voltada para negócios de impacto. Serão selecionadas iniciativas que possam contribuir para a conservação dos recifes, com ações nas bacias dos rios Joanes e Jacuípe, na Bahia, e dos rios Pacoti e Cocó, no Ceará.
A escolha das bacias hidrográficas considera a influência dos rios sobre os ambientes costeiros. A chegada de sedimentos e poluentes ao mar pode afetar a qualidade da água e a saúde dos recifes, fazendo com que a conservação desses ecossistemas também dependa de ações realizadas em terra.
Além das atividades diretamente relacionadas aos recifes, o projeto prevê ações de educação e cultura oceânica. Estão previstas formação de professores e educadores, materiais didáticos, atividades em Escolas Azuis, clubes de ciência e campanhas de conscientização.
A iniciativa reúne ainda instituições de pesquisa e conservação, entre elas a Universidade Federal de Pernambuco, o Instituto Recifes Costeiros, o Reef Bank e o Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste, do ICMBio. O programa Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo, participará das ações de educação e cultura oceânica.
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