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Igreja Católica lança declaração conjunta cobrando transição justa e fim dos combustíveis fósseis

O documento foi divulgado por Bispos da África, América Latina, Ásia e Caribe. Nele, cobram posições mais claras dos líderes mundiais diante da COP30

Júlia Mendes ·
2 de julho de 2025
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As Conferências Católicas do Sul Global, representada pelos Bispos católicos da África, Ásia, América Latina e Caribe, se reuniram pela primeira vez e divulgaram, nesta terça-feira (1), uma declaração conjunta cobrando dos líderes mundiais uma resposta mais clara e justa na COP30 e a “implementação ambiciosa do Acordo de Paris”. Além disso, anunciaram que criarão o “Observatório Eclesial de Justiça Climática”, por meio da Conferência Eclesial da Amazônia. 

Os três blocos continentais da Igreja Católica representam cerca de 821 milhões de fiéis , de acordo com o Escritório Central de Estatística da Igreja do Vaticano. O texto marca a posição da Igreja católica, pressionando governos a tomar medidas factíveis em relação à crise climática e antecipa as expectativas para a COP30 e exige que os países “implementem NDCs ambiciosas e comuniquem ao mundo como implementarão as decisões coletivas tomadas em COPs anteriores, incluindo uma transição energética socialmente justa”. 

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Lançado durante coletiva na Sala de Imprensa do Vaticano, o documento foi escrito coletivamente por conferências e conselhos episcopais continentais, órgãos máximos da hierarquia católica. Entre os principais signatários estão os cardeais Jaime Spengler (Brasil), Fridolin Ambongo (Congo) e Filipe Neri Ferrão (Índia), além da teóloga Emilce Cuda, do Vaticano.

“A Igreja do Sul Global eleva seu clamor por justiça climática e cuidado com a nossa Casa Comum. Com coragem, oferece seu testemunho profético. Este texto reúne doutrina socioambiental e experiências práticas em diálogo com a ciência”, declarou Dom Vicente de Paula Ferreira, Bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora e Presidente da Comissão Especial de Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. 

O documento denuncia o retrocesso de muitos governos em compromissos assumidos nas COPs anteriores e aponta a responsabilidade dos países ricos e das grandes corporações na devastação ambiental. Entre outros compromissos, as Conferências Católicas do Sul Global anunciaram que criarão o “Observatório Eclesial de Justiça Climática, por meio da Conferência Eclesial da Amazônia, para monitorar os compromissos das COPs e seu cumprimento no Sul Global, bem como denunciar compromissos não cumpridos. Reafirmam que a Igreja Católica “não deixará de levantar a sua voz contra as injustiças ecológicas e sociais, lembrando que o clamor da Terra é também o clamor dos pobres”.

“É um grito de muitas vozes em defesa dos direitos humanos e de toda a criação, que denuncia falsas soluções do capitalismo verde, a financeirização da natureza e a violência de grandes projetos de mineração e energia. Tudo isso em nome de um modelo de desenvolvimento que beneficia apenas uma pequena parcela da população global, enquanto condena milhões à miséria”, completou Dom Vicente de Paula Ferreira.

O lançamento do documento ocorre durante o décimo aniversário do Acordo de Paris e o décimo aniversário da Laudato Si’, a encíclica histórica do Papa Francisco sobre clima e ecologia. 

Para Lorna Gold, diretora-executiva do Movimento Laudato Si’, rede global de católicos por justiça climática, o apelo mostra que “o Sul global está mostrando ao Norte o que é liderança verdadeira”. Segundo ela, “enquanto muitos Estados recuam em suas metas climáticas, a Igreja Católica se posiciona por soluções reais e justas para a crise”.

  • Júlia Mendes

    Estudante de jornalismo da UFRJ, apaixonada pela área ambiental e tudo o que a envolve

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