Salada Verde

Trump sinaliza rever reservas ambientais no Havaí

Indústria pesqueira faz lobby para rever proibição de pesca em monumentos naturais marinhos, como o Papahãnaumokuakea. Ambientalistas discordam

Sabrina Rodrigues ·
2 de novembro de 2017 · 8 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

A administração Trump está considerando reverter 10 monumentos nacionais, entre eles o Monumento Nacional Marinho das Ilhas Remotas do Pacífico e o Monumento Marinho Nacional do Atol Rosa, no Pacífico. As duas áreas protegem as águas em torno de várias ilhas ao sul das Ilhas Havaianas. Para isso, tem o total apoio da indústria pesqueira havaiana, que faz lobby para que a pesca seja liberada.

Em setembro, Ryan Zinke, secretário do Interior, recomendou através de memorando que as classificações das Ilhas Remotas do Pacífico e do Atol de Rosa sejam alteradas “para permitir a pesca comercial”.

O memorando não mencionou a maior reserva marinha do mundo, o Monumento Nacional Marinho Papahãnaumokuakea, que fica ao nordeste do estado do Havaí e abriga mais de 7 mil espécies marinhas. Entretanto, membros da indústria pesqueira locais estão pressionando para que a pesca comercial também seja permitida na região.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Em agosto de 2016, o então presidente Barack Obama decretou a ampliação de Papahãnaumokuakea, que passou de 362 mil quilômetros quadrados para mais de 1,5 milhão km², o equivalente ao tamanho do estado do Amazonas, o maior estado brasileiro em extensão territorial. O setor pesqueiro havaiano se opôs fortemente à criação e expansão de cada um dos monumentos marinhos.

Membros da indústria da pesca no Havaí alegam que as áreas protegidas marinhas reduziram o crescimento econômico e comprometem a segurança alimentar nacional. Essas afirmações, no entanto, são rechaçadas por especialistas, que afirmam que a indústria pesqueira do Havaí dificilmente enfrenta problemas.

Antiquities Act (Leis de Antiguidades)

Nos oito anos à frente da presidência dos Estados Unidos, Barack Obama deixa como legado uma quantidade considerável de ações em proteção ao patrimônio natural e histórico. Obama se utilizou do direito ao Antiquities Act (Leis de Antiguidades), lei de 1906 que dá ao presidente autoridade para criar monumentos nacionais a fim de proteger importantes características naturais, culturais, históricas ou científicas.

Obama protegeu 28 lugares importantes, seja do ponto de vista histórico ou natural. Na contramão do seu antecessor, Donald Trump ordenou a revisão diversos monumentos nacionais, processo que começou em abril deste ano.

Até hoje, nenhum presidente reduziu ou desmantelou um monumento nacional.

Leia Também

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
25 de março de 2026

Certificação participativa avança no Amazonas e fortalece agroecologia familiar

Sistema baseado em avaliação entre pares cresce com apoio público e amplia acesso a mercados para agricultores familiares

Reportagens
25 de março de 2026

Em meio à alta na conta de luz, uso de energia solar cresce em Roraima

Nos bairros nobres da capital do estado, opção pela energia solar virou tendência. Mas mudança ainda é cara para se popularizar e esbarra na conexão à rede

Salada Verde
25 de março de 2026

Museu Itinerante da Amazônia realiza exposição no Rio de Janeiro

Mostra reúne obras que abordam questões como justiça climática, ancestralidade e urbanização; Exposição fica em cartaz até o dia 7 de abril

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.