Nestes tempos em que o ambientalismo assiste aos retrocessos comandados por George Bush e companhia, os Estados Unidos tiveram mais uma notícia triste. Morreu neste domingo, 3 de julho, em Kensington, subúrbio de Washington, o ex-senador Gaylord Nelson, um dos pioneiros da causa verde. Aos 89 anos, ele teve uma parada cardíaca. Nelson foi o criador do Dia da Terra e é considerado um dos pais do movimento ambientalista moderno do seu país.
Nascido no Wisconsin em 1916, ele formou-se advogado e cumpriu três mandatos de senador estadual pelo Partido Democrata antes de assumir a cadeira de governador no ano de 1959, quebrando quase 30 anos de hegemonia republicana. Ao fim de seu mandato como governador, lançou-se ao Senado Federal, onde permaneceu de 1963 a 1980.
Como governador, adotou a prática de cobrar um centavo por maço de cigarro para comprar centenas de milhares de acres de terra para a criação de reservas. A prática depois foi adotada por diversos outros estados.
Nelson sempre esteve preocupado com o meio ambiente. Em seu primeiro discurso como representante do Wisconsin na capital americana, disse que era preciso um programa para salvar os recursos naturais do país, e alertou para a destruição de rios, de florestas e de habitats selvagens.
Em 1995, foi condecorado pelo então presidente Bill Clinton com a medalha presidencial da liberdade, a maior honraria norte-americana. Na ocasião, Clinton declarou que, como pai do Dia da Terra, Nelson foi avô de diversas leis americanas que protegem o meio ambiente, como o Environmental Protection Act, o Clear Air Act, o Safe Drinking Water Act e outros.
De fato. O Dia da Terra foi comemorado pela primeira vez em 22 de abril de 1970 com o objetivo de conscientizar os políticos e cidadãos da importância de preservar o meio ambiente. No ano de sua criação, o Dia da Terra foi apoiado por 20 milhões de americanos e por 42 estados que aprovaram leis ambientais para celebrar a data. Nos dez anos seguintes, 23 grandes projetos de leis ambientais federais foram aprovadas.
Entre as causas defendidas por Nelson no decorrer dos seus mandatos estão a proibição do uso de inseticida DDT, a regulamentação da emissão de gases poluentes pelos veículos, o planejamento familiar e a proteção dos oceanos. Além disso, ele foi um dos três senadores federais que votaram contra a liberação de 700 milhões de dólares para uma ação militar que culminou com a Guerra do Vietnã.
Gaylord Nelson era casado há 58 anos com Carrie Lee. Tiveram três filhos e quatro netos.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Cerrado perdeu quase 14 milhões de hectares de vegetação nas margens de rios desde 1985
Perda concentrou-se nas bacias do Alto Tocantins e Araguaia e representam mais de um quarto de toda vegetação nativa perdida no bioma, aponta levantamento do MapBiomas →
Jovens lançam plataforma de mobilização por justiça climática
Proposta para a COP 31, a mobilização visa conectar iniciativas locais à agenda de ação global, fomentando a participação latina e juvenil nas políticas climáticas →
Levamos a Terra para um check-up, o diagnóstico é grave, mas ainda temos cura
O Planetary Health Check acompanha nove limites que precisam ficar dentro de uma margem segura para que o planeta continue estável e habitável. Hoje, sete deles estão ultrapassados →

