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Animais e madeiras confiscados em megaoperação mundial anti-tráfico

Entidades policiais e alfandegárias apreenderam cerca de 20 mil animais ainda vivos, todos de espécies ameaçadas ou protegidas

Aldem Bourscheit ·
10 de fevereiro de 2025 · 1 anos atrás

Grandes felinos, pássaros, pangolins, primatas e répteis estão numa lista de 20 mil animais vivos apreendidos no fim do ano passado numa megaoperação coordenada por Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) e WCO, sigla em Inglês da Organização Mundial das Alfândegas.

Além dos animais, todos de espécies em risco de extinção ou protegidos pela Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), foram flagradas madeiras e outros itens retirados ilegalmente da natureza.

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Tudo foi confiscado pela Operação Thunder, a maior do gênero desde 2017, dizem as entidades. Ao todo, autoridades policiais, alfandegárias, de fronteiras, florestais e de vida selvagem realizaram 2.213 apreensões em 138 países e regiões.

Amostras de DNA dos animais foram colhidas para tentar identificar rotas de tráfico desde onde foram roubados e direcionar sua possível repatriação, sempre após quarentenas – para identificar potenciais problemas de saúde – e reabilitação. 

Além de animais vivos, foram apreendidas centenas de milhares de partes e derivados de espécies protegidas, árvores, plantas e vida marinha. 

No caso das madeiras, os flagrantes aconteceram sobretudo em remessas de contêineres por navios, enquanto as demais apreensões ocorreram em aeroportos e centros de processamento de correspondências.

Madeira brasileira apreendida na megaoperação no fim de 2024. Foto: Interpol/Divulgação.

“O comércio ilegal de vida selvagem cresce rapidamente, é altamente lucrativo e tem efeitos devastadores. Com nossos esforços conjuntos, estabelecemos mecanismos de cooperação que facilitam a troca de informações e inteligência”, disse o secretário-geral da WCO, Ian Saunders.

Todo o mundialmente traficado abastece mercados criminosos de alimentos, de itens de “luxo”, de insuspeita medicina, colecionadores, de animais de estimação ou de competição.

A mesma operação deteve 365 suspeitos, identificou mais de 100 empresas e 6 redes criminosas transnacionais ligadas ao tráfico de animais e plantas protegidas. Alguns bandidos usavam vários perfis online e contas em mídias sociais para expandir suas vendas.

“Redes criminosas lucram com a demanda por plantas e animais, exploram a natureza pela ganância humana. Isso impulsiona a perda de biodiversidade, destroi comunidades, contribui para mudar o clima e alimenta conflitos e instabilidade”, ressaltou o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

Abaixo, imagens de animais vivos apreendidos na Operação Thunder. As fotos são da Interpol.

*Com informações da Interpol. Também buscamos com a Polícia Federal do Brasil dados sobre outros itens apreendidos e ligados ao país, mas não houve retorno.

  • Aldem Bourscheit

    Jornalista cobrindo há mais de duas décadas temas como Conservação da Natureza, Crimes contra a Vida Selvagem, Ciência, Agron...

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