Belém (PA) – As pancadas de chuva torrenciais continuam a molhar os espaços de fora – e de dentro – da COP30, assustando estrangeiros não acostumados com a força das águas da Amazônia.
Enquanto as goteiras salpicam nos participantes, os debates continuam quentes – sem trocadilhos – nas salas de negociações e nos pavilhões da Cúpula de Belém. A temperatura ultrapassa facilmente os 30ºC na capital paraense e o ar condicionado não dá conta em alguns espaços da convenção.
Mutirão Contra Calor Extremo
Em mais um dia de calor na Blue Zone, a ministra Marina Silva participou nesta terça-feira (11) de uma Sessão de Alto Nível sobre o Mutirão Contra o Calor Extremo, que marca o lançamento da fase de implementação da iniciativa.
O Mutirão contra o Calor Extremo é uma ação conjunta da Presidência da COP30 e da Coalizão pelo Resfriamento (Cool Coalition), liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A iniciativa busca acelerar a adoção de soluções sustentáveis de refrigeração e de resiliência ao calor em cidades do mundo todo, traduzindo o Compromisso Global de Resfriamento (Global Cooling Pledge) em ações concretas.
O Compromisso Global de Resfriamento é co-presidido pelo Brasil e pelos Emirados Árabes Unidos. No Brasil, o mutirão será implementado no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Mais de 60 cidades brasileiras já aderiram à iniciativa, comprometendo-se a:
• Mapear riscos e vulnerabilidades ao calor;
• Expandir a infraestrutura verde e azul;
• Incorporar soluções de resfriamento passivo em edificações;
• Ampliar a eficiência energética de equipamentos.
Entre 2000 e 2018, as ondas de calor contribuíram para até 55 mil mortes em excesso nas cidades brasileiras e, em 2024, foram o principal risco climático responsável pelo fechamento de escolas.
EUA na COP30
Enquanto Trump twitta negacionismo, mais de 100 líderes estaduais e municipais dos Estados Unidos vieram a Belém para avançar na pauta climática, a despeito das visões do seu presidente. Entre os presentes estão membros do Congresso Americano, governadores e prefeitos de coalizões como América Is All In e US Climate Alliance. Na pauta de discussões estão tópicos como energia limpa e metas de metano. Tudo o que Trump não quer.
EUA na COP30 – 2
Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (11), Christiana Figueres, ex Secretária-Executiva da Convenção-Quadro sobre a Mudança do Clima da ONU e uma das articuladoras do Acordo de Paris, disse que “é bom” que Trump e seus aliados não estejam na COP30, porque, assim, não poderão atrapalhar as negociações com “intimidação direta” contra países.
Segundo ela, o Acordo de Paris criou um caminho acelerado rumo à descarbonização da economia global e que esta é uma via rápida que se torna cada vez mais veloz.
“Existem várias ‘faixas’ nessa via. Cada faixa – ou cada ‘veículo’ que trafega por ela – pode ser um país, uma cidade, uma empresa, uma instituição financeira – cada um escolhe sua própria forma de participar dessa via rápida. Agora, há um veículo em particular que decidiu encostar no acostamento dessa via rápida. E não apenas encostou – começou a piscar luzes laranja, tentando chamar atenção, fazendo todos nós perguntarmos:
- E os Estados Unidos?
- E nós respondemos: sim, essas são as luzes piscando.
- Isso faz o trem parar?
- Não!”
Um pé cá, outro lá
A COP30 mal começou e os negociadores já estão de olho nas próximas Conferências. Apesar de a Austrália ser a candidata mais forte para sediar a COP31, em 2026, a disputa ainda segue entre a terra dos cangurus e a Turquia, que também está no páreo. A presidência brasileira ofereceu suporte para mediações.
Além disso, segundo o Instituto Talanoa, rola nos corredores o rumor de que o Grupo Africano de Negociadores teria obtido acordo interno em escolher a Etiópia como anfitriã da COP32, em 2027. Por enquanto, só rumores mesmo.
Maioria dos brasileiros já sentem os efeitos das mudanças do clima
Nove em cada dez brasileiros já sentem pelo menos uma mudança no clima nas regiões onde moram, segundo pesquisa da Quaest, realizada em julho e publicada nesta terça-feira (11). Segundo os dados, os brasileiros relataram sentir mais ondas de calor mais intensas (69%), secas mais prolongadas (42%), mudança no padrão das estações do ano (35%), geadas ou ondas de frio mais intensas que o normal (34%), incêndios florestais mais intensos (32%) e chuvas mais intensas (32%) e 77% dos entrevistados declararam se preocupar com o tema.
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