O Eco+ | Edição #281 | março/2026
1 de março de 2026
A ocupação de encostas cresceu 50% em uma década no Litoral Norte de SP. Palco de uma tragédia em 2023, quando 65 pessoas morreram devido ao deslizamentos provocados pela chuva intensa, o município de São Sebastião é um dos que tem aumentado a ocupação irregular de áreas com alta declividade, segundo levantamento do MapBiomas obtido com exclusividade pela repórter Cristiane Prizibisczki, de ((o))eco. Ainda de acordo com o estudo, em 2014, 140 hectares de encostas com declividade superior a 30% estavam ocupados no Litoral Norte de SP. Dez anos depois, esse número subiu para 211 hectares. Os dados mostram um crescimento médio de 4,2% de ocupação ao ano.
Apesar de documentado desde 2020, o estado da Bahia pouco tem feito para evitar que animais silvestres continuem morrendo afogados. O repórter Aldem Bourscheit continua seguindo os rastros dessa história, publicada com exclusividade em ((o))eco há dois anos. Passados 29 meses, a situação pouco mudou. Novos documentos e relatos confirmam que espécimes continuam se afogando em canais e reservatórios de água para irrigação do agronegócio. Inúmeros imóveis rurais na região podem ter canais com água a céu aberto com até 40 km de comprimento. Num deles, agentes ambientais toparam com um verdadeiro cemitério, um grande depósito de carcaças e ossadas queimadas de animais afogados. “A mortandade de animais silvestres prossegue pela falta de controle e não implantação de medidas mitigadoras pelo órgão ambiental sobre as atividades do agro no oeste da Bahia”, reforça Margareth Maia, diretora da ong Instituto Mãos da Terra (Imaterra) e doutora em Ecologia pela UFBA.
Uma observação que só foi possível por causa da seca extrema. Em 2024, pesquisadores encontraram recifes de ostra da água doce e um habitat aquático inédito no rio Muru, no Acre. Durante a estiagem, plataformas de calcário (calcrete) cobertas por agregações densas da ostra de água doce Bartlettia stefanensis foram expostas. A repórter Karina Pinheiro conta como a descoberta, publicada em janeiro na Revista científica Acta Amazonica, ajuda a entender o comportamento da fauna de água doce amazônica. “Eu nunca havia ouvido falar em bancos ou recifes de ostras na Amazônia. Documentamos o achado e, ainda em campo, consultamos colegas e a literatura científica. Não encontramos nada sobre esses recifes de ostras expostos ali. Foi daí que surgiu a ideia de publicar uma nota científica”, explica Fabio Olmos, primeiro autor do artigo.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Mesmo com seguidas tragédias, ocupação de encostas cresce no litoral de SP
Inação do governo baiano segue afogando animais silvestres em polo do agronegócio
Seca no Acre revela recifes de ostra da água doce e um habitat aquático inédito
· Conservação no Mundo ·
Manifestamente exageradas. As famosas rãs douradas do Panamá (Atelopus zeteki) estão retornando à natureza 17 anos depois de um fungo mortal quase tê-las dizimado. Após quase duas décadas de trabalho árduo, os conservacionistas estão finalmente reintroduzindo uma nova geração desses pequenos anfíbios fluorescentes no ecossistema da ilha tropical. [Popular Science]
Gigantes Branco em Perigo. O urso polar está muito ameaçado por causa das mudanças climáticas. A população global de ursos polares é estimada entre 22.000 e 31.000 indivíduos, um número alarmantemente precário devido à perda contínua e acelerada do habitat de gelo marinho. Conhecidos cientificamente como Ursus maritimus, esses animais não são apenas os predadores de topo do Ártico, mas também componentes essenciais de seu frágil ecossistema. [Earth.Org]
· Dicas Culturais ·
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O Karaíba: Uma história do pré-Brasil | Daniel Munduruku
O livro descreve a profecia do sábio Karaíba sobre a chegada dos colonizadores europeus à terra dos povos indígenas, que traria sofrimento através da escravidão. Antes da chegada dos colonizadores europeus, os habitantes do Brasil eram organizados, tinham sua vida estruturada e tiravam proveito da exuberante natureza que os cercava. Nessa narrativa cheia de aventura, poderemos imaginar um pouco sobre quais eram seus amores, seus dramas e suas ansiedades em relação ao futuro.
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Meio ambiente: e eu com isso? | Nurit Bensusan
Neste livro de crônicas, a bióloga Nurit Bensusan usa do humor e perspicácia para resgatar a dimensão humana dos problemas ambientais, enquanto revela ao leitor conexões aparentemente insólitas entre os diferentes problemas do mundo contemporâneo.
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Ver de novo: Histórias de meio ambiente
Este livro reúne crônicas, contos, letras de canções e poemas que falam sobre a delicada relação dos seres humanos com a natureza. A obra está dividida em quatro blocos temáticos. A poesia do verde coloca a natureza como mote para o entendimento do mundo. Mitos da natureza explora o impulso, criador ou destruidor, do mundo natural. Uma casa na cidade trata da relação do homem com a sociedade que ele mesmo construiu. E o bicho homem aborda a transformação dos seres humanos a partir de sua relação com o meio ambiente.






