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Descoberta nas alturas: caranguejo é encontrado a mais de 1.700 metros de altitude

Descoberta da espécie de crustáceo revela, com ela, todo um novo gênero de caranguejos de água doce no Parque Nacional do Pico da Neblina, no Amazonas

Duda Menegassi ·
7 de maio de 2026

Cientistas identificaram uma nova espécie de caranguejo de água doce e, com ela, jogaram luz sobre um gênero até então desconhecido de crustáceos. A descoberta foi feita na Serra do Imeri, a 1.730 metros de altura, em um riacho de floresta de altitude, dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina (AM), no extremo norte da Amazônia brasileira, onde está o ponto mais alto do país, que dá nome à área protegida. A área está sobreposta ao território Yanomami e a descrição da nova espécie contou com a colaboração entre pesquisadores e indígenas.

O trabalho conjunto foi homenageado no batismo do gênero e da espécie: Okothelphusa trefauti. Onde “Oko” significa caranguejo na língua Yanomami e “thelphusa” é um termo científico para caranguejos de água doce. Já “trefauti” é uma referência ao herpetólogo Miguel Trefaut Rodrigues, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), que liderou a expedição responsável pelo achado.

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A descrição foi publicada em abril no periódico Zootaxa, assinada por dois zoólogos da USP, Marcos Tavares e Célio Magalhães.

Durante a expedição à Serra do Imeri, realizada em 2022, foram encontrados três indivíduos, um macho e duas fêmeas, enquanto os cientistas coletavam girinos. Os animais foram analisados por Tavares, que identificou características morfológicas e genéticas distintas no material coletado que revelaram uma linhagem única de caranguejos dentro da família Pseudothelphusidae, um grupo já conhecido de caranguejos de riachos montanhosos da América do Sul.

Okothelphusa trefaut. Foto: Divulgação

O caranguejo-do-Imeri apresenta hábitos predominantemente terrestres e se movimenta por áreas úmidas nas beiras dos cursos d’água, onde se alimenta de pequenos invertebrados. A espécie possui desenvolvimento direto, ou seja, sem fase de larva, o que limita sua dispersão e contribui para o surgimento de espécies endêmicas, muitas vezes restritas a um único topo de montanha. 

Localizado no Amazonas, o Parque Nacional do Pico da Neblina possui um território de cerca de 2,3 milhões de hectares. De acordo com o gestor, Cassiano Gatto, muitas partes da área protegida, em especial as montanhas mais altas e as florestas de altitude, são pouco estudadas e podem revelar novas espécies.

“A gente ainda não conhece toda a biodiversidade existente. Cada nova expedição descobre formas de vida novas e únicas e, devido à grande dimensão do parque, acreditamos que encontraremos muito mais”, destaca. 

*Com informações do ICMBio

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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