Salada Verde

Encruzilhada marinha

Pesca autorizada com justificativas da geração de emprego e renda estão levando à destruição de ecossistemas marinhos em Galápagos, e no Brasil.

Salada Verde ·
7 de dezembro de 2009 · 17 anos atrás
Salada Verde
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Pedra de Roseta da evolução das espécies, o arquipélago das Galápagos mostra os resultados da combinação das mudanças climáticas com os impactos humanos. Publicação com os resultados de um workshop promovido pelo ministério e pelo serviço de parques do Equador mostra que as ilhas e seu ambiente marinho ainda não se recuperaram dos efeitos do mega El Niño de 1982-83, que destruiu os recifes de coral do arquipélago.

El Niños de alta intensidade posteriores, como o de 1998, e atividades humanas, levaram os ecossistemas além de sua capacidade de recuperação e 45 espécies encontram-se hoje globalmente ameaçadas. Além de espécies terrestres, como alguns dos famosos tentilhões-de-Darwin, tartarugas e iguanas, na maioria ameaçadas pela introdução de espécies exóticas de plantas (muitas beneficiadas pela mudança climática) e animais (de cães e cabras a mosquitos), espécies marinhas como seis peixes, uma estrela do mar, sete corais, seis algas marrons e nove algas vermelhas estão no paredão da morte. Uma espécie de peixe antes comum, a donzela-de-Galápagos (Azurina eupalama) não é vista desde 1983 e a estrela-do-mar (Heliaster solaris) e três espécies de algas podem estar extintas.

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Um dos problemas que as Galápagos enfretaram nas últimas décadas foi a pesca comercial de espécies-chave como tubarões, pepinos-do-mar e lagostas. O resultado foi o desequilíbrio ecológico marinho. Espécies como ouriços do mar, alimento das lagostas, atingiram níveis populacionais que impedem a regeneração dos corais. A pesca era autorizada pelo governo equatoriano com as velhas justificativas da geração de emprego e renda que, no Brasil, estão levando à destruição de nossos ecossistemas marinhos.

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