Um levantamento científico identificou uma nova área-chave para reprodução de três espécies de tubarão, duas delas ameaçadas de extinção, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. O estudo, recém-publicado, identificou fêmeas grávidas a partir de registros oportunísticos do monitoramento científico e da pesca artesanal, capturas incidentais, encalhes, no complexo estuarino de Ilha Grande-Sepetiba e revelou o potencial da área como berçário de tubarões.
Com registros coletados entre 2006 e 2024, os pesquisadores identificaram um total de seis fêmeas grávidas, em diferentes estágios da gestão. Duas de tubarão-rotador (Carcharhinus brevipinna), duas de galha-preta (Carcharhinus limbatus) e duas de tubarão-gambona (Carcharias taurus). É a primeira vez que as três espécies são documentadas grávidas na região. A descoberta indica o papel do estuário como refúgio reprodutivo e uma área prioritária para conservação de tubarões.
O estudo foi liderado pelo Instituto PROSHARK, no âmbito do Programa de Monitoramento Integrado de Tubarões e Raias, junto a pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
“Embora essas espécies apresentem comportamento migratório, a ocorrência de fêmeas grávidas em diferentes estágios de desenvolvimento embrionário sugere que o complexo Ilha Grande–Sepetiba possa funcionar como um habitat potencial para reprodução, refúgio e criação de filhotes de grandes tubarões costeiros”, destacam os pesquisadores em trecho do artigo, publicado com acesso aberto no periódico científico Brazilian Journal of Biology, em agosto.
O tubarão-gambona é atualmente classificado como Criticamente Em Perigo de extinção nas águas brasileiras, de acordo com avaliação do ICMBio. Já o tubarão-rotador é avaliado como Vulnerável ao risco de extinção no país, enquanto o galha-preta consta como Quase Ameaçada. A pesca é a principal ameaça aos tubarões, agravado pelo ritmo lento da sua reprodução.
Além das espécies grávidas documentadas, o monitoramento contínuo feito pelo Instituto PROSHARK já identificou agregações sazonais de tubarão-de-pontas-pretas (Carcharhinus limbatus) e tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier) na Baía da Ilha Grande associadas ao comportamento reprodutivo, assim como de diferentes espécies de raias.
“Em conjunto, essas descobertas reforçam a importância ecológica do complexo estuarino de Ilha Grande-Sepetiba como uma potencial área-chave de reprodução e agregação para grandes elasmobrânquios [tubarões e raias] no sudeste do Brasil”, resumem os cientistas.
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