O cientista brasileiro Carlos Nobre recebeu o Prêmio Thomas E. Lovejoy 2026 por sua trajetória de mais de quatro décadas dedicada ao estudo da Amazônia e à relação entre a floresta e o clima global. A homenagem foi entregue na última quarta (23), no Zoológico do Central Park, em Nova York, durante a Semana do Clima.
Carlos Nobre iniciou a carreira no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e trabalhou por 30 anos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Atualmente, é cientista sênior e professor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), além de integrar o Conselho Consultivo do WWF-Brasil.
Entre suas principais contribuições está a pesquisa sobre o chamado “ponto de não retorno” da Amazônia. Na década de 1990, Nobre foi um dos primeiros cientistas a identificar e modelar o limite crítico a partir do qual o desmatamento e as mudanças climáticas poderiam alterar o ciclo de chuvas da floresta e comprometer sua capacidade de se manter.
Segundo o pesquisador, a Amazônia está próxima desse limite. Ele afirma que, caso o desmatamento ultrapasse 20% da área original da floresta e o aquecimento global alcance 2°C, o bioma poderá entrar em um processo de degradação de grandes proporções.
Ao longo da carreira, Nobre também participou da criação e estruturação de instituições voltadas à pesquisa ambiental e ao monitoramento climático no Brasil. Entre elas estão o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Nobre é copresidente do Painel Científico para a Amazônia e coordena a iniciativa Amazônia 4.0, que busca desenvolver oportunidades econômicas associadas à biodiversidade e à manutenção da floresta em pé, com participação de povos indígenas e comunidades locais. O prêmio recebido por ele leva o nome do biólogo da conservação Thomas E. Lovejoy, que morreu em 2021 e dedicou parte de sua carreira à proteção da Amazônia.
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