Notícias

Pássaros tropicais reagem lentamente ao aquecimento global

Nova pesquisa mostra que migração de pássaros para áreas mais elevadas na América do Sul é mais lenta do que a esperada.

Vandré Fonseca ·
9 de dezembro de 2011 · 14 anos atrás
Pássaros tropicais estão migrando para áreas mais elevadas devido ao aquecimento global, mas não na velocidade prevista por cientistas. Essa é uma má notícia, na opinião de um dos autores do estudo, o professor de Ecologia da Conservação Stuart Pimm. “Espécies podem estar condenadas a se moverem para altitudes mais elevadas em busca de temperaturas mais amenas ou então simplesmente ficar sem habitat”, afirma Pimm. “Se ficarem onde estão, eles podem ter mais habitat, mas vão sofrer com o calor”.

Mapa da região no Peru onde foi feito o estudo e na imagem abaixo as elevações testadas no levantamento
O estudo foi publicado nesta quinta-feira na edição online do jornal PloS ONE, por pesquisadores da Universidade Duke, dos Estados Unidos. Os biólogos acreditam que os animais acompanhem a velocidade de mudanças na vegetação, que se altera vagarosamente por meio da dispersão de sementes. É um fenômeno diferente do que ocorre em áreas temperadas, como América do Norte e Europa, onde plantas e animais se adaptam às mudanças climáticas migrando para o norte ou produzindo sementes ou flores mais tardiamente.

Na região tropical, mudanças de latitude não significam alterações significativas na temperatura. “Então se mover para altas elevações é a única saída”, adverte o autor principal do estudo, German Forero-Medina, estudante de PhD da Universidade Duke. “Mas há poucos dados históricos para servir de base para uma comparação. Nossa compreensão sobre a respostas dos pássaros tropicais ao aquecimento ainda é pobre”, destaca.

Para chegar a essa conclusão, os biólogos utilizaram informações obtidas nas remotas montanhas Cerros del Sira, no Peru, em década de 1980, pelo pesquisador emérito da Duke, John Terborgh. Esse complexo topográfico, geológico e climático criou manchas isoladas de habitats, com comunidades únicas de aves, raramente visitados por cientistas. As informações de 40 anos atrás foram comparadas a novos dados, colhidos durante uma expedição realizada pelos autores do artigo à mesma região em 2010.

De acordo com os pesquisadores, cerca de metade das espécies de pássaros de todo o mundo vivem em altitudes a 1.000 metros do nível do mar ou acima deste patamar. E entre estas espécies, mais de 80% podem ser encontradas nos trópicos.

Saiba mais:

Artigo: “Elevational Ranges of Birds on a Tropical Montane Gradient Lag Behind Warming Temperatures” German Forero-Medina, John Terborgh, S. Jacob Socolar & Stuart L. Pimm. PLoS ONE, Dec. 7, 2011.


Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
20 de março de 2026

Pesquisa revela bactéria de mamíferos em piolho de ave marinha

Achado inédito em ave migratória sugere novas rotas de circulação de patógenos entre oceanos e amplia lacunas sobre a ecologia de bactérias associadas a mamíferos

Salada Verde
20 de março de 2026

Inscrições abertas para mestrado em Desenvolvimento Sustentável na UFRRJ

As inscrições para o Mestrado Profissional estão abertas e vão até o dia 24 de abril. Serão disponibilizadas 20 vagas e as aulas serão presenciais no Rio

Notícias
20 de março de 2026

Qualidade da água na Mata Atlântica estagna e pontos com nível “bom” despencam

Relatório da SOS Mata Atlântica mostra piora discreta, mas persistente, nas águas do bioma. Também averiguou que nenhum rio apresentou qualidade ótima em 2025

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.