Notícias

Gato no quintal é para os fracos, na Índia eles têm leopardo

Pesquisa indica presença de grandes felinos em áreas ocupadas por humanos e demonstra que leopardos e humanos podem dividir território.

Vandré Fonseca ·
3 de abril de 2013 · 13 anos atrás
Armadilhas fotográficas registram no oeste da Índia leopardos, chacais e hienas durante a noite, nos mesmos locais onde são fotografadas também pessoas de comunidades locais. Fotos: Projeto Waghoba.
Armadilhas fotográficas registram no oeste da Índia leopardos, chacais e hienas durante a noite, nos mesmos locais onde são fotografadas também pessoas de comunidades locais. Fotos: Projeto Waghoba.

Manaus, AM – Se você pensa em ir morar na região de Maharashtra, oeste da Índia, e escolher um lugar longe de áreas selvagens e bastante povoado, não se assuste se um leopardo aparecer no seu quintal numa noite qualquer. Uma pesquisa realizada pela Wildlife Conservation Society (WCS), com base em imagens feitas com armadilhas fotográficas, demonstra que a presença de leopardos e outros carnívoros em áreas povoadas por humanos não significa necessariamente conflitos.

O estudo “Big Cats in Our Backyards” (Grandes felinos em nossos quintais) foi publicado no início de março da revista científica PLoS One. Os autores descobriram que leopardos frequentemente perambulam perto das casas durante a noite, embora na maioria das vezes não são vistos pelas pessoas. Apesar da assustadora presença, há poucos registros de ataques de leopardos na região.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Nas armadilhas foram fotografados também felinos menores, como o gato-ferrugem-pintado (um dos menores felinos do mundo), gatos-da-selva e outros carnívoros, como a civeta-indiana-pequena (uma parente das fossas de Madagascar), a raposa-de-bengala, o chacal-dourado, mangustos e uma grande variedade de pessoas de comunidades locais.

O estudo registrou a presença de 5 grandes carnívoros, como leopardos e hienas, a cada 100 quilômetros quadrados, uma densidade nunca registrada antes em áreas dominadas pela presença humana. “Os ataques de leopardos a humanos são raros, apesar de a situação ser potencialmente instável”, afirma Ullas Karanth, especialista em grandes felinos da WCS. De acordo com ele, em regiões vizinhas os ataques são mais comuns.

Para os autores do estudo, as conclusões mostram que conservacionistas devem se preocupar também com o que acontece fora das áreas protegidas, para salvaguardar a vida selvagem em uma diversidade de paisagens.

Chacais também foram registrados pelas armadilhas fotográficas, além de outros felinos menores e hienas.
Chacais também foram registrados pelas armadilhas fotográficas, além de outros felinos menores e hienas.
A surpresa é que apesar de conviverem no mesmo território, ataques de leopardos a pessoas na região são raros.
A surpresa é que apesar de conviverem no mesmo território, ataques de leopardos a pessoas na região são raros.

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
22 de abril de 2026

Morte de onça em MS faz projeto de lei de 2015 avançar na pauta da Câmara dos Deputados

Caso na BR-262 recoloca em pauta projeto que prevê medidas para reduzir atropelamentos de fauna em rodovias brasileiras; PL será votado no Plenário

Salada Verde
22 de abril de 2026

PF e Ibama destroem 15 dragas em operação contra garimpo ilegal no rio Madeira

Operação destruiu equipamentos de dragagem em Rondônia e busca avançar sobre financiadores e redes que sustentam o garimpo ilegal no rio Madeira

Cenário num dos pontos de acesso à Resex de Cassurubá. Foto: Eduardo Melo / Instituto Baleia Jubarte / WWF-Brasil
Reportagens
22 de abril de 2026

Falta de água, banheiro e peixes pode complicar a conservação

Comunidades enfrentam precariedades e pressões externas enquanto mantêm ambientes e modos de vida tradicionais

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 1

  1. joana diz:

    acho muito legal esse trabalho entao estou sempre acompanhado …
    acho qui seria muito legal ter um leopardo passado toda noite por minha casa kkkkkkk