Reportagens

Besouros: por que criar um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para seu estudo

Instituto Nacional de Coleoptera (INCol) deverá revelar novas espécies e gerar soluções para a conservação e uso de espécies de interesse econômico

Leandro Magrini ·
21 de abril de 2026

Apesar da falta de percepção do público, os insetos representam cerca de 60% da composição de toda a biodiversidade conhecida do planeta. De acordo com o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil, o grupo compreende 73% (mais de 91 mil espécies) da diversidade de animais (125 mil espécies) registradas no Brasil. São conhecidos 31 grandes grupos (ordens) de insetos no mundo, mas um grupo em especial se destaca. Popularmente conhecidos como besouros, uma em cada quatro espécies de animais conhecidas no planeta pertence ao grupo (ordem Coleoptera).

Os besouros formam um grupo incrivelmente diverso e numeroso. Entre os mais conhecidos estão os vagalumes, joaninhas, serra-paus, rola-bostas e besouros-joias. Mas há muitos outros. Quase meio milhão de espécies já foram descritas. 

Toda essa diversidade está refletida em uma enorme variedade de formas, cores, hábitos alimentares e papéis ecológicos. A formação do solo, a decomposição da matéria orgânica vegetal e animal, a ciclagem de nutrientes e até a polinização das plantas e a dispersão de sementes estão entre os “serviços ecossistêmicos” indispensáveis fornecidos pelos besouros, contribuindo para o equilíbrio e a saúde dos ecossistemas.   

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No Brasil são conhecidas atualmente mais de 36 mil espécies de besouros, pertencentes a 116 famílias. Mas engana-se quem pensa que o grupo é bem conhecido. 

Há estimativas de que a diversidade de besouros no Brasil seria de 130 mil espécies. Mas mesmo considerando apenas a diversidade conhecida no país, somente 141 espécies de coleópteros tiveram seu status de conservação avaliado até o momento pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o que significa que menos de 0,4% das espécies de besouros possuem informações básicas sobre seu risco de extinção. 

Diversidade de coleópteros A- Chrysina spectabilis, família Scarabaeidae (foto Jonathan Kolby); B- Ixorida philippinensis, família Cetoniidae (foto Mark Bulahao); C- Atelius expansicornis, família Lycidae (foto Thilina Hettiarachchi); D- Hypsideroides junodi, família Cerambycidae (foto Wynand Uys); E- Phanaeus tridens, família Scarabaeidae (foto Barbara Martins); F- Ischnocodia annulus, família Chrymelidae (foto Laurent Hesemans). Fotos INaturalist.

“Não conseguimos conservar o que a gente não conhece”, diz o professor Fernando Vaz-de-Mello, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O pesquisador coordena uma rede de mais de 80 cientistas nacionais e estrangeiros, o Instituto Nacional de Coleoptera (INCol) – um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dedicado ao estudo dos coleópteros criado no segundo semestre de 2025, com o apoio do CNPq e sediado na UFMT.

Vários estudos mostram que a distribuição de recursos para pesquisas científicas entre grupos de animais apresenta um forte viés para grupos de vertebrados em detrimento de grupos de invertebrados como insetos, aracnídeos e moluscos, que compõem mais de 95% de toda a diversidade das espécies de animais conhecidas no planeta. Esse viés também é observado no financiamento de projetos de conservação de espécies. Um estudo recente publicado em 2025 revelou que 83% dos recursos investidos para a conservação de espécies são destinados a grupos de vertebrados, em sua maior parte para aves e mamíferos, e apenas 6,6% dos recursos são destinados a grupos de invertebrados. 

Nesse cenário, Institutos de pesquisa voltados para o estudo de insetos possuem importância crítica no cenário brasileiro e mundial, considerando a necessidade urgente de investimentos para a avaliação de risco e a conservação de espécies pertencentes a grupos tradicionalmente negligenciados, e frente às taxas alarmantes de extinção de espécies nas regiões tropicais.

Populações de insetos estão sofrendo forte declínio em todo o mundo, inclusive no Brasil, em decorrência de uma combinação de vetores como desmatamento, fragmentação do hábitat, uso de pesticidas e mudanças climáticas. Um estudo publicado recentemente na Nature estima que o aquecimento global poderá causar a morte de cerca de metade da comunidade de insetos que vivem na Amazônia devido à capacidade limitada de tolerar o aumento de temperatura que o bioma deve atingir até 2100.  

Para Vaz-de-Mello, o INCol permitirá diferenciar as espécies umas das outras e caracterizá-las adequadamente. Além disso, espera que o Instituto contribua para fornecer “avaliações de biodiversidade, para novas ferramentas de manejo e uso de espécies de interesse econômico”, o aprimoramento de “métodos de avaliação de risco de extinção de espécies”, e para propor soluções para a conservação de espécies e seus habitats.

Vaz-de-Mello também coordena o estudo da biodiversidade dos coleópteros em dois megaprojetos de pesquisa em andamento na Amazônia Central: o BioInsecta (Biomonitoramento de Insetos em Florestas Tropicais), projeto apoiado pela Fapesp com sede na USP de Ribeirão Preto (SP), e o BioDossel (Insetos na Copa das Árvores), um INCT do CNPq com sede no INPA, em Manaus (AM).

Veja a entrevista para ((o))eco e o Blog BioInsecta.

O que há de fascinante em relação aos coleópteros? 

A ordem Coleoptera, que inclui os besouros, é a maior ordem conhecida de seres vivos.  Trata-se de um grupo com cerca de meio milhão de espécies descritas, pertencentes a aproximadamente 180 famílias. Os coleópteros correspondem a cerca  de 40% das espécies de insetos conhecidas, o que representa aproximadamente um quarto de todas as espécies animais do planeta. Um grupo muito diverso.

As espécies desse grupo estão associadas a praticamente todos os tipos de ambientes terrestres, incluindo áreas de clima bastante frio, como parte do continente Antártico. Muitos grupos de coleópteros estão associados a ambientes de água doce, e há até algumas espécies associadas à água salgada.

Os besouros são insetos que se caracterizam por apresentar uma metamorfose completa, o que significa que suas larvas são extremamente diferentes dos adultos, não apenas na forma geral (do corpo), mas também no modo de vida. Os adultos geralmente se caracterizam por ter o primeiro par de asas modificadas chamadas de élitros que cobrem a maior parte do corpo, fornecendo proteção e ao mesmo tempo ajudando na sustentação do voo.

Professor Fernando Vaz-de-Mello na Coleção Entomológica da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).

Há espécies que se alimentam de matéria vegetal, tanto em decomposição como plantas vivas ou suas partes (folhas, madeira, sementes); espécies que comem animais mortos; que se alimentam de animais vivos (predadoras); espécies parasitóides (parasitas de outros insetos); e existem até besouros hematófagos (que se alimentam de sangue), apesar de serem poucas espécies. 

Essa diversidade de hábitos alimentares resulta em papéis ecológicos bastante variados. Desse modo, muitos besouros podem ser considerados como “engenheiros ambientais”, contribuindo para a formação e estrutura do solo – cavando, aumentando a permeabilidade e diminuindo a compactação do solo, fazendo a decomposição de matéria orgânica, a ciclagem de nutrientes e a dispersão de sementes. Há também espécies polinizadoras. Um grande número de serviços ecossistêmicos são fornecidos pelos coleópteros!

Qual a importância da criação de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dedicado à pesquisa dos coleópteros e qual será o seu foco?

O Instituto Nacional de Coleoptera (INCol) é um instituto virtual que vai reunir a maior parte dos estudiosos de coleópteros do Brasil e muitos de fora do país. Foi criado com o apoio do CNPq e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT) 

Já contamos com a participação de mais de 80 pesquisadores, que são curadores de 40 coleções científicas de besouros e estão associados a 50 instituições, em 17 estados brasileiros. Há pesquisadores de pelo menos mais 10 países. 

Sua atuação será baseada em três eixos principais: taxonomia, ecologia/conservação, e importância econômica. Desses, o eixo de taxonomia é o mais transversal, porque não conseguimos fazer nada sem taxonomia. E, graças à taxonomia de coleópteros bem feita, conseguiremos desenvolver as demais áreas de estudo de coleópteros no Brasil.

Quais os principais resultados esperados do INCol para a conservação da biodiversidade e para a sociedade? 

Stultutragus poecilus, uma provável espécie polinizadora de coleóptero (família Cerambycidae), Belo Horizonte (MG). Foto Lucius Vasconcellos.

O INCol estuda um grupo animal muito grande, como já mencionado. O principal desafio que temos para o conhecimento do grupo é o gargalo taxonômico. Existem muitas espécies já descritas para as quais ainda não temos ferramentas capazes de diferenciar umas das outras, e existem também muitas espécies novas ainda não descritas. 

Quanto a questões de conservação da biodiversidade e uso sustentável, não conseguimos conservar o que a gente não conhece. E só conseguimos usar o potencial de organismos benéficos e manejar espécies que possam causar problemas, de maneira eficiente, se pudermos diferenciar essas espécies umas das outras.

No eixo de atuação em ecologia e conservação do INCol, esperamos desenvolver métodos melhores de avaliação de risco de extinção de espécies e o uso de grupos alternativos de espécies como indicadores de biodiversidade para estudos de conservação e biodiversidade no Brasil.

Temos muitos estudos utilizando precisamente o grupo de besouros de minha especialidade, que são os rola-bostas. Esses besouros têm uma reprodução extremamente complexa, que envolve a construção de um ninho bastante trabalhoso, a produção de ovos enormes e muita interação social entre macho e fêmea para que a prole sobreviva. Frequentemente, estão associados a excrementos, mas alguns besouros estão associados a outros tipos de matéria orgânica em decomposição, como frutas e carcaças de animais.

Mas está na hora de usarmos outros grupos de besouros para estudos de ecologia e conservação, desenvolvendo novas metodologias para eles.

Quanto ao eixo de interesse econômico, se quisermos falar de sustentabilidade, tanto ecológica quanto econômica, não poderemos manejar as espécies se não conseguirmos diferenciá-las umas das outras. Uma vez que possamos diferenciar as espécies e caracterizá-las adequadamente, conseguiremos conhecer suas histórias de vida (biologia) e, somente com esse conhecimento, poderemos considerar seriamente realizar o manejo e o uso dessas espécies.

Esperamos que o INCol contribua, desde o início de suas atividades, com avaliações de biodiversidade e para o desenvolvimento de novas ferramentas de manejo e uso de espécies de interesse econômico.

Como coordenador do estudo de taxonomia e diversidade dos coleópteros dos projetos BioInsecta e BioDossel, quais as principais contribuições que você considera que estes projetos devem trazer para o estudo da biodiversidade dos insetos da Amazônia? 

Temos perto de 200 anos de estudos sobre a diversidade de insetos da Amazônia, mais ou menos contínuos. Mas, por questões metodológicas, sempre foi muito difícil realizar estudos dos insetos associados às partes mais altas da Floresta Amazônica.

A grande contribuição do BioInseta e do BioDossel é permitir que a gente estabeleça (identifique) quais são as espécies de insetos que estão no dossel (copa das árvores). Estou mais interessado nos besouros que estão associados a diferentes alturas dentro da floresta, desde o nível do solo até acima do dossel. Vamos conseguir obter um tipo de informação que só foi possível há muito pouco tempo. Esses dois projetos permitiram solucionar uma antiga limitação metodológica para o estudo dos insetos que vivem acima do nível do solo (até 2 metros) em ecossistemas florestais através de um sistema inovador de armadilhas em cascata, dispostas verticalmente, permitindo a amostragem massiva de insetos desde o solo até o dossel, a cerca de 30 metros de altura na Floresta Amazônica

Pela primeira vez, vamos conseguir obter informações de maneira bem padronizada, de modo que poderemos saber quais espécies estão associadas a quais alturas dentro da estrutura vertical das florestas na Amazônia brasileira.

Coleóptero predador Pelidnota sumptuosa (família Scarabaeidae), São José do Barreiro (MG). Foto Lucius Vasconcellos.

Qual a sua expectativa do impacto do BioInsecta e BioDossel em relação ao conhecimento que deverá ser revelado da biodiversidade dos besouros da Amazônia e do Brasil? 

O mais interessante do BioInsecta e BioDossel, do ponto de vista de um taxonomista (especialista no estudo das espécies), é a metodologia que estamos usando nesses projetos, que chamamos de integrative taxonomy with inverted sorting taxonomia integrativa com triagem reversa, em português. Ela consiste em análises muito rápidas de DNA barcode (considerado um código de barras para a identificação das espécies com base no gene citocromo oxidase I), e no agrupamento dos exemplares com base na similaridade desse trecho de DNA, em espécies. Os clusters, que são os conjuntos de exemplares considerados como uma mesma espécie, são então enviados para os taxonomistas, que confirmam ou não a identificação dessas espécies com o uso de características morfológicas.

Esse é um estudo muito interessante porque, pela primeira vez, graças ao DNA barcode dos espécimes, por exemplo, poderemos reconhecer machos e fêmeas de uma mesma espécie que sejam muito diferentes entre si, o que não seria possível com base apenas na morfologia. Devido à metodologia usada, poderemos associar espécimes muito diferentes uns dos outros, como extremos de tamanho e diferenças de cor, que, de outra forma, não seria possível ter certeza que se tratam da mesma espécie ou não. Mas os besouros não estavam colaborando muito com essa metodologia.

No começo do estudo, uma quantidade grande dos coleópteros nos dois projetos não estava sendo sequenciada como os demais grupos (ordens) de insetos. Isso aconteceu devido a maior rigidez (esclerotização) do corpo desses animais, o que dificulta a extração do DNA. Por isso, implementamos novos métodos para a extração de DNA dos coleópteros, como a maceração de pernas dos exemplares, e espero que, com isso, possamos aumentar consideravelmente a proporção dos besouros sequenciados. 

Sobre espécies novas, é claro que vão aparecer espécies novas, e vão ser muitas. Tenho certeza que aparecerão espécies novas associadas ao dossel que não sabíamos que existiam e que ainda não existem em nenhuma coleção (científica). Quando trabalhamos com um grupo diverso como os besouros, esperamos o aparecimento de espécies novas sempre que usamos uma metodologia diferente ou coletamos em um lugar diferente. 

De que modo o INCol poderá colaborar com os projetos BioInsecta e BioDossel, e vice-versa? 

Espero uma simbiose extremamente forte. No BioInsecta e BioDossel, tudo se baseia em taxonomia, em conseguir identificar adequadamente as espécies de insetos encontradas em diferentes estratos de altura na Floresta Amazônica.

Para o INCol, tudo também depende de taxonomia. Conseguiremos desenvolver tudo o que o INCol propôs com base no aumento da capacidade nacional de identificação de coleópteros e gerando ferramentas baseadas em identificações taxonômicas precisas, tanto para usos econômicos quanto para a ecologia e conservação das espécies. Para isso, investiremos na formação de novos taxonomistas. O INCol tem uma quantidade grande de bolsas formativas e de bolsas de continuidade de trabalho para jovens pesquisadores (doutores).

A grande interação e simbiose entre INCol, BioInsecta e BioDossel é que estamos tratando da mesma rede de pesquisadores taxonomistas. Serão os taxonomistas do INCol que identificarão os besouros coletados nos projetos BioDossel e BioInsecta.

O BioDossel e o BioInsecta fornecerão espécimes que serão essenciais para a pesquisa taxonômica sobre os besouros brasileiros, novos espécimes (exemplares) com dados de coleta e de novas espécies, que, por sua vez, serão estudadas pela rede de taxonomistas do INCol. Essa rede de pesquisadores será compartilhada entre os três projetos.

Diversos estudos têm mostrado que as populações de insetos estão sofrendo forte declínio em todo o mundo, inclusive no Brasil, principalmente devido a vetores como desmatamento, uso descontrolado de pesticidas, fertilizantes e devido às mudanças climáticas. Há informações disponíveis do impacto desses vetores sobre as populações de besouros?

Existem fortes evidências de declínios populacionais de besouros no mundo inteiro. Posso falar um pouco melhor sobre o que está acontecendo com os besouros rola-bostas. Temos um grupo de pesquisadores especialistas em besouros rola-bostas (Dung Beetle Specialist Group) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que têm trabalhado nessa temática. 

A partir do grupo de trabalho dos especialistas da IUCN, uma série de estudos já foram publicados, inclusive para o Brasil, mais recentemente. Os estudos evidenciam um declínio das populações de besouros rola-bostas, que estão desaparecendo das pastagens, provavelmente devido ao uso indiscriminado de vermífugos (para o gado), à ausência de manejo adequado do solo e à falta de cuidados em relação à fauna do solo das pastagens.

Besouro da família Lycidae. Coleção Digital de Insetos da Amazônia Central BioInsecta/BioDossel. Coletado na Reserva Biológica ZF2, INPA. Foto Vinicius Anelli. Disponível em: https://bioinsecta.org/dados/colecao-digital-insetos-da-amazonia-central/

Talvez não sejam apenas os vermífugos, e outros tipos de substâncias químicas também devem estar presentes. Para o futuro, o cenário também é preocupante. Já temos estudos que mostram alterações da distribuição geográfica de besouros rola-bostas de pastagens devido às mudanças climáticas que estão acontecendo. Para muitas espécies, há reduções importantes na distribuição geográfica estimada para o futuro. Será que o declínio populacional que estamos observando nos besouros rola-bostas vai continuar? 

Esperamos observar que o declínio populacional de outros grupos de coleópteros esteja associado a outros vetores. E veja que não falei do desmatamento. É claro que, quando ocorre desmatamento, teremos declínio das populações das espécies que estão estreitamente associadas às áreas que foram desmatadas. Ao mesmo tempo, teremos o aumento das populações das espécies associadas às áreas antrópicas (ambientes modificados pelo homem).

Como os três projetos poderão contribuir para reduzir essas lacunas de conhecimento?

Estamos observando grandes mudanças nas populações de insetos, mas ainda não temos um bom entendimento dessas alterações e de quais são suas causas, a não ser em grupos específicos, como é o caso dos besouros rola-bostas.

A partir dos dados de qualidade que vamos dispor para o INCol, assim como para o BioInsecta e BioDosssel, somados à precisão que será fornecida para a identificação das espécies, poderemos fazer comparações com dados existentes em coleções e prever alterações significativas na distribuição geográfica das espécies e em seus hábitats, não apenas para os besouros rola-bostas, mas para todos os grupos de besouros. Será possível dar continuidade aos estudos relacionados à perda de diversidade, principalmente nos trópicos. 

*Entrevista editada para melhor compreensão. Uma versão estendida da entrevista está publicada no Blog do projeto BioInsecta.

  • Leandro Magrini

    Doutor em Ciências/Biologia Comparada pela USP e cursou a especialização em jornalismo científico do Labjor-Unicamp

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