
A luta contra a degradação do meio ambiente não será vencida apenas com planos de manejo, regularização fundiária e outras medidas de ordem técnica, aplicadas nas Unidades de Conservação. Ela só pode ser ganha se tiver o apoio das pessoas que vivem nas grandes cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília. Aí é que estão sediados os grandes jornais, as redes de televisão, os formadores de opinião, as universidades. Das grandes metrópoles saem os novos modos de pensar e os padrões de comportamento. Nelas, de fato, vivem o Presidente da República, os governadores e os parlamentares. Nas suas ruas, restaurantes e bares são decididos o orçamento público e os rumos da nação.
Se não formos capazes de atrair a atenção e contruir uma relação de amor pela natureza nesses segmentos, jamais poderemos sonhar em estancar a destruição da mata da Amazônia, do Cerrado ou mesmo da Mata Atlântica.
Em um regime democrático, nenhum tema vira prioridade nacional sem o apoio da opinião pública.
Por isso, é preciso colocar o “Conhecer para conservar” em prática. O manejo das Unidades de Conservação tem que incluir a visitação, a educação ambiental e a formação de um grupo de pressão em torno da agenda verde. Caso contrário, continuaremos sempre a ser um punhado de indignados a gritar no vazio. Os deputados da nova Frente Anti-UCs apenas respondem à pressão dos seus eleitores.
Onde erramos? Não fizemos uma política de visitação instrumentalizada para a criação de um apoio popular à causa da conservação. Onde continuamos a errar? Não estamos revendo essa política…já que para nós, conservacionistas…a culpa do fracasso é sempre dos outros.
Leia também
214 deputados formam Frente Parlamentar contra UCs
Visitação é essencial nos parques estaduais do Rio de Janeiro
Criação de frente parlamentar contra UCs é pesadelo ambiental
Saiba mais
WikiParques
Leia também
Licença da Belo Sun é restabelecida, mas disputa judicial segue aberta no Xingu
Decisão do TRF1 libera instalação do projeto, enquanto Ministério Público Federal e órgãos técnicos contestam estudos e consulta indígena →
4 milhões de hectares de incerteza: do alerta à fiscalização
O Brasil ainda soma cerca de 4 milhões de hectares de desmatamento onde não há informações espaciais disponíveis à sociedade sobre autorizações ou ações de fiscalização incidentes nessas áreas →
Pesquisadores registram caso inédito de macaco-prego leucístico no Ceará
É o primeiro caso de leucismo documentado neste gênero de primatas e pode ser um alerta sobre a fragmentação do habitat, alertam os cientistas →




