Análises

Um Novo Parque (para homenagear a Holanda?)

A seleção de Dunga tomou ferro dos Países Baixos. Para quem viajou até Porto Elisabeth ficou o consolo de conhecer o Parque Nacional da Garden Route.

Pedro da Cunha e Menezes ·
9 de julho de 2010 · 16 anos atrás
Pois é, no último fim de semana, a Seleção de Dunga tomou ferro dos Países Baixos. Para os brasileiros que viajaram de carro da Cidade do Cabo até Porto Elisabeth, contudo, ficou o consolo de conhecer as novas partes do Parque Nacional da Garden Route, proclamado recentemente (maio de 2009).
Trata-se de iniciativa pioneira que amalgamou dois Parques Nacionais pré-existentes (Tsitsikama e Wilderness) a um Lago Nacional e a diversas florestas comerciais de mata nativa, totalizando 121.00 hectares, dos quais 52.500 anteriormente não estavam protegidos sob o estatuto de Parque Nacional. A empreitada não só deu escala administrativa ao novo Parque permitindo maior racionalização de recursos humanos, mateirais e financeiros, mas também tornou possível desenhar uma estratégia de manejo unificada que permitirá a preservação do maior complexo contínuo de florestas nativas da África Austral.
Além das florestas, o novo Parque protege extensas áreas costeiras, tanto do lado do litoral terrestre quanto na parte marinha. Embora nem todas as frações do Parque estejam conectadas entre si (um pouco no mesmo modelo do novo Parque Estadual da Costa Verde no Rio de Janeiro) a iniciativa é mais que bem vinda pois ajuda a África do Sul a se aproximar do seu objetivo de aumentar a área protegida em Unidades de Conservação de 6% para 8% .
Do ponto de vista econômico, a iniciativa também faz sentido. O Serviço de Parques Nacionais (equivalente local do ICMBio) é o maior empregador da região e as áreas protegidas constituem a maior fonte de atração de turistas do Cabo Meridional. O turismo, por sua vez é o motor da economia local. Uma administração unificada e ordenada sob um único plano de manejo facultam o planejamento integrado das trilhas, dos locais de pique-nique, dos mirantes e dos diversos bangalôs manejados pelo Parque.
Somente no que toca a trilhas de longo curso, o novo Parque tem quatro. A Tsitsikama Trail, a Otter Trail (http://www.oeco.com.br/pedro-da-cunha-e-menezes/17029-oeco_18483),  a Dolphin Trail e a Harkerville Coastal Trail. As duas primeiras com cinco dias de duração, a terceira com quatro dias e a última com dois dias.
Escolhi percorrer a trilha Kranshoek, cujos 9,5 quilômetros são coincidentes com o trecho litorâneo da Harkerville Coastal Trail. Como já havia cabritado a Tsitsikama Trail e a Otter Trail e conhecia bem os Parques Nacionais de Tsitikama, de Wilderness e o Lago Nacional de Knysna, tinha interesse de ver como uma antiga Floresta Comercial estava sendo transfromada em unidade de conservação do grupo de proteção integral.
Como quase tudo que diz respeito á conservação ambiental na África do Sul, não me decepcionei. As espécies exóticas estão sendo retiradas, espécies nativas estão sendo plantadas, a fauna monitorada, a área marinha fiscalizada. Enfim, a transformação está sendo rápida e bem feita.
A trilha, por outro lado, é bem sinalizada e extremamente bonita, embora seja dura pois exige técnica e preparo físico. Em meio às águas revoltas do Atlântico Sul e às Florestas verdejantes da mata africana, uma visão, contudo, apesar de bela me incomodava. Eram as rochas laranjas de Harkeville: insintiam em se intrometer na minha contemplação da natureza. O vento que batia forte e incessante sobre elas parecia uivar: Holaaaandaaaaaa, Holaaaaandaaaaa…..

Leia também

Análises
15 de janeiro de 2026

Autogestão comunitária como princípio de Justiça Ambiental

Livres consultas recíprocas estabeleceram benefícios econômicos para todos, que assumem práticas ambientalmente corretas sem sacrificar individualidade alguma

Externo
15 de janeiro de 2026

Por que forçar as pessoas a adotar práticas ecológicas pode sair pela culatra

Um novo estudo revela um dilema para a política climática: as pessoas não gostam quando dizem a elas o que fazer

Por Tik Root
Notícias
15 de janeiro de 2026

Saúde na Amazônia precisa ser redesenhada diante da crise climática, defendem pesquisadores

SUS na Amazônia precisa se adaptar às mudanças climáticas, incorporando saberes tradicionais, indicadores locais e estratégias de cuidado ajustadas ao território, apoiam

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.