Análises

O automóvel

Redação ((o))eco ·
13 de outubro de 2011 · 14 anos atrás

O planejamento urbano e a crise nas cidades Raimundo C. Caruso (organização) FiscalTech O livro pode ser encomendado no site das Livrarias Curitiba Organizado pela FiscalTech, empresa privada de Curitiba, o livro “O automóvel” foi inicialmente pensado como uma homenagem póstuma a Roberto Varella, fundador do grupo. Depois, percebendo a oportunidade de abrir espaço para o debate de ideias sobre mobilidade urbana, seus familiares alteraram o projeto e o trataram como um compilado de artigos de especialistas das mais diversas áreas sobre o caos no trânsito do país, focado principalmente no automóvel. Como conjunto a obra tem aspectos interessante, apesar de reunir também artigos com teorias ultrapassadas e projetos totalmente fora da realidade. Ao mesmo tempo em que apresenta uma oportuna análise da carnificina nas estradas brasileiras por parte do inspetor da Polícia Rodoviária Federal Alexandre Castilho, por exemplo, o organizador abre espaço para o Aerotrem, um estranho projeto que propõe a construção de elevados para o transporte coletivo de massa. E abre espaço para defesas atrasadas do rodoviarismo e teses à Prestes Maia de que crescimento econômico envolve ampliar avenidas e harmonizar o transporte coletivo e o individual (e não priorizar o investimento em transporte público de massa no lugar do espaço para os carros – e não em elevados que causam fraturas urbanas). A leitura pode ajudar a entender as ideias que ajudaram na construção do mito de Curitiba como cidade modelo em mobilidade urbana. Nesse sentido, serve como oposição ao livro “Curitiba e o mito da cidade modelo”, do Dennison de Oliveira, disponível nesta mesma lista aí embaixo. E viva a pluralidade!
“Analisemos, por exemplo, a situação do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China. Pois bem, a China, grande potência, crescimento explosivo, mas com ferrovias cortando o país inteiro. Além disso, há uma numerosa navegação costeira e fluvial, com hidrovias escoando as safras. Logo, não para comparar a China com o Brasil. Já, a Índia, ferrovias e pobreza, e sem tantos centros consumidores de excelência. Tem uma agricultura de subsistência, certo desapego material e não é obcecada pelo consumo, como acontece no Brasil. Finalmente a Rússia, que investe em ferrovias há cem anos, tem distâncias tão grandes e maiores que as do Brasil, e assim o transporte rodoviário é quase impraticável. Para encerrar, vemos o Brasil, também um continente, porém cortado de rodovias e sem alternativa de transporte que por estradas. E o que é que encontramos no nosso País? Encontramos a ameaçadora promiscuidade do transporte de soja, de petróleo e gasolina, dos eletrodoméstricos, dos veículos novos, dos carros populares circulando na mão de gente que nunca dirigiu na estrada e que agora está descobrindo o turismo interno, de custos baixos”. Trecho da entrevista do autor com Alexandre Castilho, página 30 do livro.

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