O ICMBio, órgão federal de conservação do Brasil, pode aprender com a experiência da principal agência da África do Sul conservação, SANParks (South African Parks), e como a experiência que ela ganhou na Copa do Mundo de 2010.
A SANParks deriva 85% de sua renda a partir de receitas do turismo e estava bem preparada para aproveitar os esperados 400 mil visitantes que vieram para o longo torneio de um mês, em junho-julho de 2010. Telões foram erguidos em algumas das áreas turísticas dos parques nacionais e preparou-se alojamentos extras e pacotes turísticos especiais.
Mas a surpresa foi que, quando os 309 mil visitantes da Copa do Mundo chegaram, eles ficaram apenas por 10 noites, em média, e passaram a maior parte de seu tempo e dinheiro seguindo as suas seleções de futebol de estádio para estádio, viajando de cidade em cidade, com pouco tempo para viajar para os parques nacionais no campo.
Frutos da Copa
No entanto, a melhor notícia foi que, apesar da recessão global, o número de turistas na África do Sul continuou crescendo em 2011, 2012 e 2013.
A taxa de crescimento turístico da África do Sul em 2012 foi mais do que o dobro da taxa de crescimento turístico global média, de cerca de 4%, estimada, em 2012, pela Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas.
Em 2012, a África do Sul viu particularmente bom crescimento turístico de pessoas que vêm de fora do continente Africano. Esse turismo cresceu 15,1%, uma das maiores taxas do mundo no ano passado.
Apesar da recessão global e da inflação local, a SANParks conseguiu crescer sua ocupação média unitário em 70%.
A lição é que para o SANParks a parte importante da Copa do Mundo não foi o torneio, mas sim a oportunidade de se colocar no mercado e preparar a SANParks para aproveitar o crescimento futuro dos visitantes para a África do Sul e, assim, também aumentar o turismo nos parques sul-africanos e reforçar o apoio para a conservação.
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