Notícias
17 de junho de 2005

Comprando mico

O Brasil está a um passo de retornar a um triste passado. Apesar de em 1990 a importação de pneus usados ter sido proibida, tramita um projeto de lei no Congresso para permitir que tudo volte a ser como antes. A possível aprovação do PL 216/2003, do senador Fávio Arns (PT-PA), levou a sociedade civil a escrever uma carta aos senadores alertando que a medida beneficiará a indústria de recauchutagem de pneus em detrimento do meio ambiente e da saúde da população. Não existe pneu biodegradável e se livrar deles custa qualidade de vida . Queimá-los significa liberar substâncias cancerígenas , deixá-los em lixões é o mesmo que construir casa popular para o mosquito da dengue e jogá-los nos rios é crime- ainda que seja feito, e muito. O problema é tão sério, que a melhor solução encontrada pela Europa foi exportar o problema para fora de suas fronteiras. Os países de lá revendem seus pneus para nações em desenvolvimento, que os reutilizam e depois...ficam com o mico. O Brasil não consegue dar fim nem aos 100 milhões de pneus que descarta todo ano, quanto mais os dos outros. O argumento da indústria de remoldagem para comprar pneus estrangeiros é a má qualidade dos brasileiros,mas o Inmetro contesta.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
Fotografia
17 de junho de 2005

As marrecas-caboclas

As “salinas” são belíssimas lagoas de água alcalina, na região do Pantanal do Mato Grosso Sul que vai da Nhecolândia ao Rio Negro. O nascer e o pôr...

17 de junho de 2005
Análises
17 de junho de 2005

Poucos, raros e apertados

De CezarExcelente, Eunice. Há tempos não lia nada tão emocionante quanto a luta desses bichinhos pelo seu direito à vida. Muito interessante o livro "Imperialismo Ecológico..." de Crosby, Alfred, disponível na biblioteca do Senac. Se tiveres um tempo dá uma lida e verás quantos preás ilhéus se perderam no mundo após o avanço da gloriosa maré caucasiana sobre o mundo. Depois de lê-lo, verás a sorte que até aquí tiveram os preás.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
Análises
17 de junho de 2005

Abrir ou não abrir as reservas?

De Pedro P. de Lima-e-SilvaEngenheiro Ambiental, PhDServiço de Segurança Radiologica e AmbientalComissão Nacional de Energia NuclearCaro O EcoParabéns, muitas vezes parabéns, à Prof. Suzana Pádua e sua coluna sobre abrir ou não abrir as reservas. Compreender que a educação, a informação, o conhecimento, o contato, o sentir na própria pele é o que nos faz humanos é matéria rara, escassa, num país tão sedento de pensar sobre si mesmo. Se eu pudesse escrever uma coluna na imprensa, escreveria a coluna que a Dra. Suzana escreveu n'O Eco. Ou melhor, não escreveria, porque não conseguiria ser tão preciso e sensível quanto ela o foi.Tenho discutido esse tema com gestores de UCs, às vezes de forma muito positiva e pró-ativa como com a chefe da APA Petrópolis, às vezes me desentendido, como com gestores de outras unidades de conservação menos sensíveis ao óbvio, batendo na tecla de que a nossa salvação, e das espécies que conosco dividem esse mundo, está em trazer mais gente para a Natureza, e nao menos, por mais assustadora que alguns ambientalistas possam achar a idéia. Tudo na vida depende de como, e não do quê. Da mesma forma, os administradores públicos, presidentes, governadores e prefeitos, deveriam trazer mais Natureza para dentro de suas casas, para a orla das estradas e para dentro das cidades. Somente uma visão de prazo mais longo pode perceber que não há futuro no isolamento, e que o resultado até agora do isolamento tem sido a continuação da destruição. Por incrível que isso possa parecer, continuamos alimentando uma cultura de isolamento, onde nosso mundo é um, o da "Natureza" é outro. Que tolice!A Dra. Cecília Bueno, professora de Ecologia da Universidade Veiga de Almeida, descreveu em sua monografia de docência superior uma experiência pedagógica que realizou com uma turma de engenharia, avessa no início do período à ecologia e à conservação. Fazendo um trabalho de sensibilização com os alunos, levando-os em excursões pela Floresta da Tijuca, produziu no fim do período uma turma, a mesma, completamente diferente, com diversos alunos inclusive já engajados em trabalhos de reciclagem, conservação e educação ambiental. A transformação foi impressionante, e sua base foi incontestavelmente o contato visual, pessoal, informacional com a Natureza.O caso do Parque Nacional da Tijuca, contada em O Eco de forma esclarecedora pelo colunista Pedro Menezes, que inclui a Floresta da Tijuca, é exemplar. Hoje, com enormes problemas para gerir sua área encravada numa metrópole, é analisada em artigos científicos que fazem diagnósticos de que se não houver programas organizados da administração pública que integrem a população da cidade à Unidade de Conservação, ele poderá perder parte significativa de sua área em pouco tempo. Fala-se de uma perda de 20% em 20 anos. Os problemas de invasões, caça, corte de árvores, incêndios, erosão, poluição, introdução de espécies exóticas [alienígenas], todos causados por humanos, propositadamente ou não, aumentam dia a dia. Se a gestão do IBAMA, ajudada ou atrapalhada pela prefeitura, continuar na direção de querer isolar a UC da cidade, em vez de trazer os cidadãos para dentro, de forma a criar esse laço de afetividade, tão bem citado pela professora Suzana, perderá passo a passo tanto em quantidade de terras, embora tenha agregado o Parque Lage, que já era protegido e uma outra parcela, quanto em qualidade. De nada adianta agregar terras para a conservação, como disse a colunista de O Eco, se isso só acontecer na teoria, no papel, na cabeça dos administradores públicos, e não para a fauna e a flora locais, que continuam a ser paulatinamente dizimadas, vítimas da falta de recursos técnicos, financeiros, humanos e da cegueira de muitos gestores, locais e nacionais.O outro colunista de O Eco, Eduardo Pegurier, tem discutido por outra vertente a mesma questão. Em diversos países desenvolvidos, os gestores já perceberam que é preciso dar sustentabilidade às reservas. Assim, proporcionam infraestruturas de acesso decente aos ecoturistas, sem abrir mão de uma preservação responsável e sustentável. O acesso cria o necessário laço de relacionamento citado pela Dra. Suzana entre as pessoas e as reservas.Mas como garantir uma sustentabilidade econômica num país pobre sem desviar verbas preciosas da educação formal, da saúde e da previdência para a conservação direta? Não há mágica, nem existe almoço grátis, já disse um economista. Se os parques e reservas abrirem uma parte de suas áreas à visitação, através de sistemas de acesso modernos e não poluentes, como trens, túneis com esteiras e teleféricos, movidos a motores elétricos, sem ruído e sem fumaça, fechando a entrada de carros, ônibus, táxis e vans, degradadores por excelência, é possível trazer milhões de pessoas para dentro das florestas conservadas sem que elas PISEM na floresta. Um teleférico, para citar apenas um dos exemplos, sistema de acesso que defendo desde a década de 1980 em minhas palestras por este país afora, ainda um montanhista aguerrido do Clube Excursionista Carioca, pode colocar milhões de pessoas dentro de uma UC sem que as pessoas pisem nela. A edificação de uma pequena área, as estações no caso, pode trazer os recursos tão necessitados. E os gestores das UCs não precisarão ficar medingando recursos tão preciosos dos governos, disputando ingloriamente com as áreas de educação, saúde, segurança, etc.Trazer mais pessoas, e não menos, de modo responsável, controlado, com sistemas de engenharia modernos e bem projetados, para as reservas e todas os tipos de UCs atenderá a dois propósitos tão sonhados pelos ambientalistas: garantir a sustentabilidade econômica a curto prazo pela receita gerada e a garantir a sustentabilidade a longo prazo pela sensibilização da população visitante que pode enfim amar, porque conhece, e transformar esse amor em apoio à conservação, política e financeiramente.No Clube Excursionista Carioca, onde na década de 1980 vivi anos dos mais felizes de minha vida, perambulando por este país incrível, estava escrito na minha carteirinha de sócio, que guardo até hoje com o maior orgulho: "terra amada, terra conhecida".abs,

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
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17 de junho de 2005

Proteção

A pesca de arrasto, feita com imensas redes puxadas por traineiras que levam tudo o que existe por onde passam, foi proibida em 75% da costa Oeste dos Estados Unidos, diz o Environmetal News Service. A medida, tomada pelo órgão federal responsável pela gestão dos estoques pesqueiros em águas do Pacífico sob jurisdição americana, preserva 360 mil quilômetros quadrados de oceano. No Brasil, a pesca de arrasto só é combatida na costa do Paraná.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
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17 de junho de 2005

Derretendo

O The Wall Street Journal conta que nos Andes peruanos, os efeitos do aquecimento global estão devastando as tradições culturais de um grupo Quechua e fazendo seus membros imaginar que o fim do mundo está próximo. O glaciar onde todo ano fazem uma peregrinação religiosa que mistura catolicismo com fé pagã, está derretendo. Suas bordas já recuaram quase dois quilômetros em 20 anos. O fenômeno está acontecendo em todos os glaciares dos Andes no Peru. Segundo estudo do governo, eles deverão desaparecer em 40 anos.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
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17 de junho de 2005

Mudança

O Senado americano fez modificação radical na nova legislação sobre energia enviada ao Congresso americano pela Casa Branca. Deu-lhe cara de coisa ambientalmente incorreta, exigindo, por exemplo, que a maior parte da redução de impostos prevista no projeto vá apenas para empresas que invistam em geração de energia limpa. A notícia está no The New York Times.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
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17 de junho de 2005

Dane-se o mundo

Sempre ele. George Bush, diz o The Washington Post, pressionou, pressionou, e acabou enfraquecendo a proposta conjunta que sairá da reunião do G-8, que reúne as principais economias do planeta, para o combate ao aquecimento global. A reportagem conta que o texto final da proposta está sendo pesadamente editado pela delegação americana.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
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17 de junho de 2005

A polêmica da sopa

A notícia é velha. Mas a história que a reportagem do The New York Times conta é ótima. Desde que abriu as portas no ano passado, a Disneylândia de Hong Kong está sob pressão de ambientalistas por ter tomado a decisão de servir sopa de barbatana de tubarão em seus restaurantes. O prato, uma iguaria chinesa, é hoje uma das principais causas da pesca predatória de tubarões em todo o mundo. A Disney, que não quer ferir as suscetibilidade locais, continua afirmando que não vai ser contra uma tradição culinária asiática. Mas ainda não teve coragem de servir uma única porção da sopa no parque.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
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17 de junho de 2005

A pilha sem fim

No MIT Technology Review, a história da pesquisa de cientistas para desenvolver pilhas à base de energia atômica. A tecnologia chama-se Conversão Direta de Energia e produz pilhas capazes de funcionar durante 12 anos e 3 meses.

Por Redação ((o))eco
17 de junho de 2005
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16 de junho de 2005

Escândalo chileno

Fraudes na licença ambiental, ocultamento e falsificação de informações pelo Governo Federal e contravenções no sistema judicial. Soa familiar? Pois é, os ambientalistas do Chile estão indignados com a liberação do funcionamento de uma fábrica de papel e celulose próximo a uma reserva ambiental. A Planta de Celulosa Valdivia fica às margens do Rio Cruces, no sul do Chile, cerca de 30 quilômetros acima do Santuário de Natureza "Carlos Anwandter". Mas como o mesmo rio corta a área protegida, os poluentes da fábrica que atingem suas águas desequilibraram todo o ecossistema local, prejudicaram a pesca e estão causando a morte de cisnes de peito negro (Cygnus melancoryphus) e outros animais. A fábrica foi inaugurada em maio de 2004, já sob protestos contra o Estudo de Impacto Ambiental da obra, que liberou o empreendimento sem prever os danos ao Santuário. Fechada pela Justiça em janeiro deste ano, a Valdivia voltou a funcionar no mês seguinte. No dia 10 de junho, o senador Nelson Ávila e a ambientalista Sara Larraín foram presos ao tentar entrar no Palácio do Governo, para entregar uma carta ao presidente pedindo a proibição do funcionamento da fábrica.

Por Redação ((o))eco
16 de junho de 2005
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16 de junho de 2005

Dunas atropeladas

As dunas de Sabiaguaba, das poucas fixas que restaram em Fortaleza (CE), estão sendo ameaçadas pelo turismo predatório de bugues e caminhonetes que fazem trilhas no local. No sábado, 11 de junho, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano e a associação de moradores local fizeram uma blitz que expulsou cerca de 50 bugueiros de Sabiaguaba. As dunas são áreas de preservação ambiental por abrigarem uma reserva estratégica de água mineral subterrânea, ajudando a amenizar o clima da cidade e a diversificar a fauna e flora locais.

Por Redação ((o))eco
16 de junho de 2005