Urna

A Federação de Agricultura do Estado do Pará entregou estudo ao governo estadual recomendando que um bom naco dos três milhões e 600 mil hectares na Calha Norte do rio Amazonas no Pará, demarcados para virarem a futura Floresta Estadual do Paru, sejam destinados à agropecuária. Defende os interesses de grileiros da região. Como é tempo de eleição, o governo paraense, em vez de simplesmente ignorar o pedido, resolveu tratá-lo com deferência. Pediu ao Imazon, responsável pelos estudos técnicos da Floresta do Paru para analisar a papelada.

Por Redação ((o))eco
5 de setembro de 2006

Culpada

Cinco mil e quatrocentos quilômetros quadrados da Amazônia foram destruídos para dar lugar a plantações de soja entre 2001 e 2004. O número é de um estudo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos que cruzou imagens de satélite e levantamentos de campo. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a pesquisa vai de encontro ao argumento dos agricultores de que eles só ocupam áreas já desmatadas para pastagens. Os cientistas relacionaram as taxas anuais de desmatamento ao preço da soja . E dizem que o potencial para expansão do grão – com o conseqüente desflorestamento – ainda é grande. Basta que, para isso, o seu preço suba no mercado externo.

Por Redação ((o))eco
5 de setembro de 2006

Na mira

Entre os 58 mandatos de prisão emitidos para a Operação Daniel, sete eram destinados a funcionários do Ibama dos escritórios de Ji-Paraná e Costa Marques, três a agentes da Polícia Rodoviária Federal de Rondonópolis e um ao coordenador técnico da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia. Fora 42 empresários. Entre estes últimos foram detidos os "Guarinos", pai e filho que ajudavam a cooptar servidores para o esquema de madeira ilegal e que já haviam sido presos na Operação Curupira II. Mesmo respondendo a processo, eles continuaram a fraudar ATPFs.

Por Redação ((o))eco
5 de setembro de 2006

Vítimas

O esquema de fraude nos planos de manejo em Rondônia durou 5 anos e as principais vítimas foram as unidades de conservação no estado. O Parque Estadual do Guajará Mirim, o Parque Nacional Pacáas Novos e a Reserva Biológica do Guaporé eram os alvos prediletos dos criminosos. O governo não soube estimar quanto em madeira e em dinheiro as atividades ilegais renderam nesses anos.

Por Redação ((o))eco
5 de setembro de 2006

Desmatamento na Amazônia

Entre agosto de 2005 e agosto de 2006 a Amazônia perdeu 16.700 km2 de floresta. Esta foi a tendência apontada pelo Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) e representa uma queda de 11% em relação ao mesmo período entre 2004 e 2005, quando foram derrubados 18.793 km2 de mata amazônica, segundo dados consolidados pelo Prodes – um sistema mais preciso que o Deter. Os números do Prodes para o desmatamento da Amazônia Legal em 2006 ainda não foram concluídos.

Por Carolina Elia
5 de setembro de 2006

Desempenho dos estados

O Mato Grosso continua sendo o estado campeão em desmatamento, responsável por 55% de toda a floresta que sumiu no último ano na Amazônia. Ainda assim, a quantidade de mata derrubada em seu território caiu em 34% em relação ao período anterior. O segundo na lista é o Pará, o que preocupa o governo. Lá, o desmate aumentou em 50% em relação ao ano de 2005. Houve também uma alta de 53% no Amazonas.

Por Carolina Elia
5 de setembro de 2006

Operação Daniel

A Polícia Federal deflagrou a 13ª operação em colaboração com o Ibama para repressão de crimes ambientais. Desta vez os estados alvos foram Rondônia e Mato Grosso. O objetivo era desarticular uma quadrilha formada por madeireiros, advogados, contadores e servidores do Ibama que atuavam em diversos municípios rondonienses e retiravam madeira ilegal de terras indígenas e unidades de conservação para serem vendidas a Santa Catarina. Policiais rodoviários federais de Rondonópolis (MT) colaboravam com a quadrilha e não faziam a fiscalização nas estradas.

Por Carolina Elia
5 de setembro de 2006

Origem do nome

As investigações começaram em março deste ano, a partir de denúncias de um servidor recém concursado do Ibama, assediado e ameaçado de morte por companheiros de trabalho para que colaborasse com o antigo esquema de corrupção. O diretor da Polícia Federal Zulamar Pimentel comparou a coragem do analista ao jovem Daniel, que em passagem bíblica é jogado na cova dos leões, mas nada sofre por ter resistido a tentações. O Ibama informou que o servidor que delatou os crimes será removido para outro estado.

Por Carolina Elia
5 de setembro de 2006

Como aconteciam os crimes

Com autorização do Ibama e da PF, o analista simulou conivência com a quadrilha e recebeu mais de 20 mil reais para sumir com a primeira via das ATPFs. Os servidores públicos envolvidos liberavam as autorizações para empresas “laranjas”, que preenchiam as ATPFs com informações falsas sobre o volume de madeira transportado. Cada papel era comercializado por valores entre quatro e cinco mil reais.

Por Carolina Elia
5 de setembro de 2006