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Carta – Negócio ruim é exportar o atraso II

De Jorge MeditschPrezado Marcos,Sou jornalista, tenho uma coluna mensal na revista Autoesporte e edito um site chamado AutoEstrada. Evidentemente,...

Redação ((o))eco ·
5 de setembro de 2006 · 20 anos atrás

De Jorge Meditsch

Prezado Marcos,

Sou jornalista, tenho uma coluna mensal na revista Autoesporte e edito um site chamado AutoEstrada. Evidentemente, gosto muito de automóveis e, por isso mesmo, me preocupo com a relação deles com o ambiente e sua influência em nossa vida diária.

Li seu artigo hoje no Estadão e, de início, concordo com sua posição sobre os riscos do álcool. Acho que a idéia de nos transformarmos numa Arábia Saudita da cana é uma fantasia. Também me preocupa a onda da moda, o bio-diesel – acho que não vamos salvar o planeta com ele.

Por outro lado, creio haver algumas incorreções nos seus comentários sobre o Honda Civic. Nos Estados Unidos, o Civic híbrido é uma das várias versões do carro e, infelizmente, a menos vendida (é a mais cara, excetuando o modelo esportivo SI). O Civic Híbrido custa entre U$ 22150 e US$ 23.265 – as versões tradicionais começam por US$ 14.360. Vale lembrar que o híbrido paga menos impostos, tanto na hora da compra quanto no licenciamento.

Nos Estados Unidos, o Civic é considerado um carro de entrada, voltado para quem compra seu primeiro 0 km. Aqui, por uma distorção, é considerado carro de luxo (e a versão mais cara tem piloto automático). Ao mesmo tempo, não é possível comparar preços de carros nacionais com similares vendidos nos Estados Unidos – nossa carga fiscal encarece qualquer modelo em, pelo menos, uns 35%. Se fosse produzido aqui, um Civic híbrido custaria, pelo menos, R$ 66 mil.
v Quanto ao funcionamento dos carros híbridos, o motor elétrico é usado principalmente na arrancada e nas retomadas de velocidade. Em velocidade de cruzeiro, o motor a gasolina é que impulsiona o carro. Como o maior consumo ocorre exatamente durante a aceleração, é assim que se chega à economia de combustível.

A carga das baterias se dá durante o uso, mas também consome combustível, exceto quando o carro é freado ou nas descidas. Nestes dois casos, o motor elétrico passa a atuar como gerador e recupera parte da energia que seria desperdiçada para recarregar as baterias.

Para não chatear muito, só mais uma correção: o motor de 4 cilindros do Honda Civic não tem sistema de desativação de cilindros. Esse recurso é usado em outros modelos (inclusive não híbridos), principalmente em motores V8, de várias marcas e é bastante eficiente na redução do consumo.

Abraço,

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