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Capital Natural: Brasil fica no topo?

Se conseguir equilíbrio entre o que é consumido e o que a natureza pode prover, país será estrela do século 21.  

18 de novembro de 2010 · 15 anos atrás
Rio Tefé na Amazônia brasileira: biodiversidade coloca o país no topo do ranking de capital natural (foto: Margi Moss)
Rio Tefé na Amazônia brasileira: biodiversidade coloca o país no topo do ranking de capital natural (foto: Margi Moss)
“Em um mundo que enfrenta uma crise crescente por recursos, a biocapacidade brasileira oferece uma vantagem significativa – tanto na sua capacidade de ser um fornecedor para outros países, como para seus próprios cidadãos. Mas há um porém.”

Para entender como a exploração dos recursos ecológicos é possível, é útil utilizar uma analogia financeira. Quando a pegada ecológica da humanidade é menor do que a biocapacidade, é como se vívessemos apenas com os juros gerados pela natureza. Quando ultrapassamos esse equilíbrio, começamos a acabar com nosso estoque de recursos naturais e a acumular lixo – basicamente gastando o fundo principal. Assim como em uma aplicação financeira, essa situação pode até durar um certo período de tempo. Mas, com os problemas emergenciais que enfrentamos hoje, que vão das mudanças climáticas à redução da biodiversidade (detalhada pelo Relatório Planeta Vivo), recebemos sinais de que já ultrapassamos os limites de nossa exploração.

Em um mundo que enfrenta uma crise crescente por recursos, a biocapacidade brasileira oferece uma vantagem significativa – tanto na sua capacidade de ser um fornecedor para outros países, como para seus próprios cidadãos. Mas há um porém. O Brasil só poderá atingir esse patamar de benefícios se não esgotar a fonte de sua riqueza – se conseguir, na essência, sobreviver com os juros de sua riqueza..

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As tendências mostram que o país está indo na direção oposta. De 2,9 hectares globais, a pegada ecológica do brasileiro médio já é maior do que a média global e consideravelmente maior do que o disponível de 1,8 por pessoa no planeta.

(Clique aqui para explorar a comparação da pegada ecológica brasileira em relação a outros países)

“A redução da desigualdade, com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é um resultado positivo”, disse a secretária-geral da WWF-Brasil, Denise Hamú, em resposta ao relatório. “Entretanto, nós também temos que enfrentar um grande desafio:. Crescer sem esgotar os recursos naturais”

O crescimento populacional do Brasil representa outro desafio. A população do país mais do que dobrou desde 1961, de 75 milhões para 190 milhões, enquanto sua biocapacidade total não mudou significativamente. O resultado é que a quantidade de biocapacidade disponível por pessoa, mesmo grande, é menor do que a metade do que era quatro décadas atrás.

A boa notícia é que com a melhoria da qualidade de vida no Brasil, a Pegada Ecológica per capita não aumentou exponencialmente, como ocorreu em outros países – especialmente na Europa, América do Norte e Oriente Médio. O país possui uma pegada relativamente baixa para seus níveis de desenvolvimento humano, medidos pelo Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, que classifica os países com base em sua obtenção de alguns parâmetros, como longevidade, educação e renda. Isso sugere que o país está se desenvolvendo com um nível mais baixo de demanda por recursos do que outros países.

O desafio brasileiro é criar novas oportunidades de crescimento para o país enquanto são protegidos os serviços ecossistêmicos que são a base para seu desenvolvimento econômico. Se o país conseguir manter o equilíbrio entre o que é consumido e o que a natureza pode prover, ele será a estrela do século 21. Caso contrário, é bom relembrar que, a não ser que o país consiga cuidar de seu patrimônio, até o mais rico pode acabar falido. (Tradução: Laura Alves)

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