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Piauí: Pré-história e Resiliência no Coração do Brasil

Muito além das riquezas históricas (nesse caso pré-históricas) ou naturais, o mais bonito dos brasis é conhecer tantas culturas que existem no nosso território

28 de janeiro de 2025 · 1 anos atrás

Sou uma defensora de conhecermos o Brasil. Desejo mergulhar em cada um dos nossos biomas, me conectar com as pessoas e suas realidades! Nessas férias, decidi visitar o Piauí, estado brasileiro que abriga os sítios arqueológicos mais antigos do Brasil e das Américas – isso mesmo, de toda a América. Infelizmente, o estado ainda é pouco conhecido e visitado. Vem comigo saber um pouco mais dessa história!

Em 2023, o Piauí registrou 318 mil viagens domésticas, enquanto a Bahia recebeu aproximadamente 1,88 milhão de visitantes no turismo doméstico, e a Paraíba, cerca de 1,3 milhão. No caso do Piauí, grande parte dessas viagens tem como propósito tratamento de saúde ou consultas médicas (35,3%) e visitas a familiares ou eventos com amigos (26,3%). Isso torna a diferença ainda mais gritante.

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Passei 18 dias no estado, visitando dois dos três parques nacionais: o Parque Nacional da Serra das Confusões e o Parque Nacional Serra da Capivara. O Parque Nacional de Sete Cidades ficou para a próxima, mas prometo resolver isso em breve!

Antigos abrigos, grutas guardam registros da ocupação humana na região. Foto: Arquivo pessoal.

O Parque Nacional da Serra das Confusões é a maior reserva do bioma caatinga no Brasil, com mais de 823 mil hectares. Além dos sítios arqueológicos, suas grandes atrações são as cavernas e rochas que mudam de cor conforme a luz do dia. Esse fenômeno, que confunde o olhar, inspirou o nome do parque. Imagino que os viajantes antigos deviam se perder frequentemente nos caminhos.

Já o Parque Nacional Serra da Capivara abriga a maior concentração de sítios pré-históricos do país. Suas pinturas rupestres foram feitas pelos povos que viveram na região há cerca de 100 mil anos. O parque conta com 1.220 sítios arqueológicos e foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

No entorno do parque, há dois museus imperdíveis:

  • O Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, exibe os resultados de mais de quatro décadas de pesquisas conduzidas pela arqueóloga Niède Guidon.
  • O Museu da Natureza, em Coronel José Dias, inaugurado em 2018, oferece uma experiência multissensorial que narra a criação do universo e as transformações climáticas ao longo do tempo.

Mas muito além das riquezas históricas (nesse caso pré-históricas) ou naturais, o mais bonito dos brasis é conhecer tantas culturas que existem no nosso território. Pude conhecer artesãos que fazem das pinturas rupestres a inspiração dos artesãos para os mais diversos tipos de peças de barro. A Cerâmica Serra da Capivara foi fundada em 1992, pela arqueóloga Niède Guidon e hoje emprega cerca de 30 artesãos que moram no entorno do Parque Nacional, essa é uma maneira sustentável de inclusão social e econômica sem gerar danos ao parque.

Como uma mulher criada na cidade grande, cria de São Paulo, me encanta a socialização real ainda presente nas cidades pequenas, a cultura de todos na calçada sentados nas suas cadeiras de fio ao fim da tarde quando “o Sol esfria”, a alegria mesmo na escassez, na literal secura da Caatinga, as crianças livres e a alegria da chuva! Foi um privilégio receber a chuva com eles, o chão, as plantas renascem rapidamente, tudo brilha, inclusive as pessoas, o tempo é assunto recorrente e passou a ser de nós também, onde a chuva chegou e onde ainda é espera. Sem dúvida te convido para conhecer a Serra da Capivara, conhecer a Caatinga, tomar uma Cajuína ouvindo as histórias do povo, eu simplesmente estou encantada pela Caatinga e meu sonho é que o mundo possa aprender com a resiliência e a potência desse bioma.

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