Sempre acreditei que a única diferença entre o fotógrafo profissional e o amador é que o primeiro necessariamente vive (e paga suas contas) do ofício. E o amador fotografa por hobby, por paixão à arte. Não há necessariamente diferenças técnicas ou estéticas. Logicamente o profissional, por estar ali, aperfeiçoando aquele trabalho todo o tempo, tem mais chances de obter melhores imagens. Mas a subjetividade é grande e conheço muitos fotógrafos amadores (no conceito semântico) que dão um baile de qualidade fotográfica em muitos profissionais paparicados pela mídia.
Dante Buzzetti pode ser considerado amador por não viver da fotografia, mas é um profissional, e dos bons. Basta ver as imagens deste ensaio. Ornitólogo de coração, formado em biologia e engenharia, Dante se especializou provavelmente numa das áreas mais difíceis na observação de aves: seus ninhos. Talvez sua história de infância tenha ajudado, quando nas ruas e terrenos de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, vivia a identificar cantos e pássaros, mas certamente a paciência e a persistência vêm de seu gosto pela profissão. E se observar ninhos e seus ‘moradores’ já é uma tarefa complicada no mundo das pesquisas aladas, o que dizer de fotografar? Pois em grande parte tem que estar escondido, olhando de longe o que a câmera está vendo de perto; o foco estimado, o posicionamento das aves e seus filhotes ‘sabe-lá-deus-como’, horas de espera. Enfim, um misto de paciência e conhecimento aprofundado dos hábitos das aves. E muitos filmes gastos.
Este trabalho de mais de uma década fotografando ninhos permitiu o lançamento do livro “Berços da Vida – Ninhos das Aves”, pela Editora Terceiro Nome. Atualmente, Dante trabalha em planos de manejo e estudo de impacto ambiental em Unidades de Conservação por todo o Brasil, grava infindáveis cantos e fotografa ninhos de pássaros, alguns raros e com privilégio de descobrir espécies novas! Apesar do interesse na fotografia como uma forma de documentação, “o maior trunfo é a descoberta do ninho em si e não sua imagem” finaliza, como todo bom biólogo.
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