Até conhecer as fotografias de Bento Bueno, 63 anos, eu achava que o fotógrafo profissional era munido de qualidade, técnica e conhecimento que o tornava alguém muito além de qualquer outro aventureiro na arte de fotografar. Ledo engano. O trabalho deste advogado paulistano e o conhecimento que adquiriu sobre a história da fotografia mundial deixam claro que a diferença maior está no fato que o fotógrafo profissional paga suas contas com este ofício. Por outro lado, o ‘amador’, por não ter a pressão da rotina de trabalho e dos prazos apertados inerentes neste mundo moderno, acaba tendo uma relação mais sentimental com a fotografia – diga-se pelo próprio termo que o define: amor.
Bento começou efetivamente a fotografar aos 15 anos. Desde então seu interesse se amplificou numa vasta biblioteca de revistas National Geographic e livros dos mestres da fotografia, assim como uma quantidade invejável de equipamentos profissionais que adquiriu ao longo dos anos. De fato não seriam razões para torná-lo um fotógrafo amador de alma profissional, ou vice-versa, mas suas fotos poéticas de ribeirinhas amazônicos, de aves sulistas na Lagoa dos Peixes ou das encostas áridas da Ilha de Trindade não deixam dúvidas que é um fotógrafo na essência.
Bento é membro da National Geographic Society desde a década de 80 e atualmente oficial de ligação (representante) da Federação Internacional de Arte Fotográfica – FIAP no Brasil, e presidente da Associação de Fotógrafos Fototech. Este ensaio sobre penas de aves nos traz um universo de cores e texturas de rara beleza. Sua história é cômica se não fosse (quase) trágica, para quem o ajudou. Bento viajava pelo interior de São Paulo com um amigo quando este se lembrou de um outro amigo, dono de um criadouro particular de aves próximo de onde estavam. Durante a visita, e Bento já fotografando os coloridos animais, soltou a idéia: “Seria bom se pudesse pegá-los”. De prontidão o tratador apareceu com uma ave nas mãos. Como todo bom fotógrafo, Bento estava com seu equipamento de flashes de estúdio no carro, e logo prepararam uma sala para receber aqueles exóticos ‘modelos’. O amigo segurava as aves enquanto Bento tentava conciliar sua aproximação com a lente macro e o ajuste ideal dos flashes. “Até que consegui fazer boas fotos”, afirmou. “Mas meu amigo saiu totalmente arranhado, bicado, não querendo ver aves por um bom tempo. Foi uma confusão danada!”.
Mas o resultado valeu a pena.
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