Acabo de voltar de um dos lugares mais fantásticos que o Brasil tem o privilégio de resguardar: o rio Juruena. E foi justamente nestes 20 dias de documentação que conheci Gustavo Irgang. Assim que o vi com câmera a tiracolo, a escolha das cenas fotografadas e a forma como ele se posicionava, deduzi que ali havia, pelo menos, um grande curioso por fotografia. Não só percebi certo, como também seu envolvimento ia muito além de simples gosto amador. Guga é um fotógrafo na essência.
Geógrafo gaúcho, é filho de dois naturalistas originados na época da História Natural. Sua realidade de criança foi regada a muitas viagens com os pais para os confins do Rio Grande do Sul, pegando gosto pela natureza e seus esplendorosos cenários. Aos oito anos, tomou contato com a fotografia através da boa e velha Pentax K1000, e sua curiosidade não se limitava apenas a clicar, nos moldes normais de brincadeira de criança. Ele queria entender, como e porque, tinha que deixar o ponteiro no meio (do fotômetro).
Em 1991 fez um curso de fotografia básica, e definitivamente entrou no mundo dos conceitos, onde é primordial aprender sobre física ótica, laboratório, revelação, policromia; conceitos cada vez mais esquecidos nesta realidade digital moderna, e que infelizmente vem criando documentaristas de natureza que se julgam fotógrafos. Deste curso formou-se um grupo de amigos aficionados, que promoveram cursos de fotografia ambiental, discussões, projetos e viagens regadas a dezenas de filmes Velvia 50.
Guga conta com orgulho que revelou todos seus filmes cromo, explorando compensações variadas nos químicos, e o resultado foi incrível. Sua trajetória na fotografia o levou a tentativas profissionais, mas a casualidade da vida e um bom conselho amigo o destinaram à faculdade de Geografia. Sua formação ambiental falou mais alto, mas certamente seu pé no mundo da imagem mostrou o Sistema de Informações Geográficas (SIG), capaz de mesclar análises espaciais, geomorfologia, tridimensionalidade e…imagens! Tudo que um geógrafo apaixonado por fotografia precisava! E hoje, depois de muitas andanças pelo mundo tecnológico, avaliações de imagens de satélite, configuração de mapas e coordenadas, Guga é responsável pelo Programa de Conservação do Instituto Centro de Vida, Oscip sediada em Alta Floresta, MT. Viaja muito pela Amazônia Meridional, e tem sua câmera Nikon D80 sempre na bagagem – entre notebooks, mapas, GPS de ponta, e muita tralha que uma floresta como aquela requisita.
Em suas fotos, aparentemente simples no que tange a escolha das cenas, existe uma preocupação maior, um olhar apurado à cor, saturação, a uma luz difícil e contraditória. O que ele quer, no fundo, não é documentar, registrar aquilo que está vendo; ele efetivamente gosta de brincar com a imagem, sorver o que está além do que vemos. Típico de quem aprendeu a fotografia como conceito, entre bandejas de químicos iluminadas por uma pequena e avermelhada lâmpada.
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