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⅓ das áreas queimadas este ano foi derrubado ilegalmente no passado, diz MPF

Segundo peritos do MPF, fogo é usado para finalizar ou espalhar desmatamentos antigos. Documento será levado para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região

Sabrina Rodrigues ·
16 de setembro de 2019 · 2 anos atrás
Fogo vem sendo utilizado para consolidar ou expandir desmatamentos antigos. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama. Foto: MPF/Divulgação.

Um laudo produzido por peritos do Ministério Público Federal (MPF) do Projeto Amazônia Protege informa que um terço das áreas desmatadas ilegalmente e mapeadas pelo órgão este ano foi alvo de queimadas. A fração corresponde ao total de desmatamento ocorridos entre os anos de 2015 e 2017, ou seja, 170 mil hectares. 

O documento, que será enviado pela Procuradoria Geral da República (PGR) para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, aponta que o fogo está sendo utilizado para consolidar ou expandir desmatamentos antigos. São 816 locais com desmatamento ilegal e posterior queimada, o que representa 1/3 de todos os casos de desmatamento ilegal já mapeados e alvo de ação judicial proposta pelo MPF no âmbito do Amazônia Protege. 

Exemplo de áreas alvo do Amazônia Protege com presença de focos de calor em 2019.

Além disso, o laudo mostra que as áreas com focos de calor estão localizadas nos principais eixos de expansão de desmatamento na Amazônia Legal: BR -163, Sul do Amazonas, APA Triunfo do Xingu e Norte do Mato Grosso. Esse fato reafirma a indicação de uso e expansão dessas áreas abertas em anos anteriores. 

Metodologia

Para chegar a essa conclusão os peritos do MPF cruzaram as coordenadas das áreas de desmatamento ilegal já mapeadas pelo Amazônia Protege com as imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrando foco de calor.

O Amazônia Protege é um projeto idealizado pelo Ministério Público Federal que pretende combater o desmatamento ilegal na Floresta Amazônica brasileira. No projeto, o MPF analisa as imagens de satélite de corte raso na floresta e cruza as informações da área com bancos de dados do Terra Legal, Cadastro Ambiental Rural (CAR) e autos de infração do Ibama.

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Nota Técnica

 

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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