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Carta – Verde Para Sempre até quando? II

De De Mauricio Mercadante Diretor de Áreas Protegidas Secretaria de Biodiversidade e Florestas Ministério do Meio AmbientePrezado Pádua, Os seus...

Redação ((o))eco ·
15 de agosto de 2006 · 20 anos atrás

De De Mauricio Mercadante
Diretor de Áreas Protegidas Secretaria de Biodiversidade e Florestas Ministério do Meio Ambiente

Prezado Pádua,

Os seus comentários foram precisos e absolutamente oportunos. Destaco as seguintes afirmações: a) as reservas extrativistas “são um instrumento valioso e efetivo de conservação da Floresta Amazônica (e potencialmente de outros biomas)”; b) “a salvação da floresta virá apenas com o estabelecimento de um gigantesco mosaico de diferentes reservas”; c) “não acho negativo criar reservas no papel. (…) É melhor ter reservas no papel, e lutar ao lado da lei por sua consolidação”; d) é “altamente contraproducente (…) estabelecer um antagonismo radical entre os conservacionistas e as reservas extrativistas”. Estou inteiramente de acordo.

Não sei se posso dizer o mesmo do seu último comentário. Tenho dúvidas. Senão, vejamos: no seu artigo, Marcos Sá Correa informa um fato: o desmatamento na área onde foi criada a reserva extrativista Verde para Sempre continua no mesmo ritmo observado antes da criação da reserva. Em outras palavras, a criação da reserva não reduziu o desmatamento na área. Ou, ainda, nas palavras do mencionado Paulo Amaral, do Imazon, “não mudou nada”.

Se, com base nesse fato, o Marcos afirmasse que a criação de reserva extrativista não é um instrumento efetivo para conter o desmatamento poderíamos dizer, como você faz, que seria uma extrapolação “injusta”, na medida em que ela não considera a situação de outras reservas extrativistas.

Seria, de fato, uma extrapolação “injusta”, incorreta, inadequada, mas, ainda assim, minimamente coerente ou relacionada com fato apresentado. O problema é que o Marcos vai muito além disso. Ele afirma que o desmatamento observado na Verde para Sempre “ameaça a lenda de que o uso tradicional preserva a natureza” e mostra que a reserva extrativista é “extrativista demais para ser propriamente uma reserva.”

Ora, o que tem uma coisa a ver com a outra? Ele só poderia fazer essa “extrapolação” se o desmatamento estivesse sendo feito pelos extrativistas. O que não é verdade. O desmatamento está sendo feito pelos madeireiros de sempre, contra os quais a reserva extrativista foi criada. O Marcos sabe disso, como fica claro no próprio artigo, quando ele diz que a Verde para Sempre está sem fiscalização e “mais ou menos entregue (…) aos próprios moradores, submetidos pela ausência das autoridades a um teste “perigoso”, seja lá o que isso quer dizer. Ele faz, portanto, uma crítica às reservas extrativistas que não pode ser deduzida da notícia do desmatamento na Verde para Sempre. No final das contas, vira tudo pretexto para maldizer o suposto “modelo de conservação predileto da ministra Marina Silva.”

Eu pergunto, Pádua, como você define ou classifica essa tipo de raciocínio? Você é um cientista respeitado, um pensador honesto e uma pessoa cuja conduta ética está acima de qualquer suspeita. Se você me disser que não estamos diante de um (mais um) exemplo de desonestidade intelectual eu retiro o que disse e peço desculpas em público.

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