De Lauro Eduardo Bacca
Presidente RPPN Catarinense Sr. Editor,
Fazendo eco ao artigo de Marcos Sá Correa e ao protesto de José Truda Palazzo Júnior contra o batismo de Chico Mendes ao Instituto Brasileiro de Conservação da Biodiversidade, anexo manifestação que fiz há dois dias, ainda que parecendo pueril e simples comparado ao que escreveram Marcos e Truda. Acima de tudo, quero protestar contra a verdadeira mania, muitas vezes casuística e emocional, de dar nome de pessoas a tudo quanto é coisa, sem necessidade, independente do mérito dos homenageados. Em tempo: não sou contra a criação do Instituto em sí, que vem em boa e necessária hora!
Caros amigos,
Que seja saudada com prudente otimismo a notícia da criação do Instituto Brasileiro de Conservação da Biodiversidade!!!
O importante é que as UC passem a funcionar e cumprir com sua finalidade maior que é salvar a biodiversidade da biocidade humana em todo o planeta. Gostaria porém de expressar uma certa insatisfação pela pressa de batizar esse instituto de Chico Mendes. Concordo que o nome, aí embutido o brasileiríssimo “chico”, é extremamente simpático e esse novo Instituto vai precisar já de cara criar uma empatia com uma população muito mais preocupada com seus problemas diretos do dia a dia que com a proteção da vida além da humana. Sem nenhum demérito porém (por favor!) a Chico Mendes, será que esse Instituto precisa nascer batizado com o nome de alguém? Alguém lembrou-se de pelo menos levantar outros nomes nacionais de grande relevância para a defesa ambiental e da biodiversidade? José Lutzenberger, por exemplo, (só um exemplo, por favor!), falecido em maio de 2002? E tantos outros já falecidos e até vivos que (depois de mortos) também terão inquestionáveis méritos? Já que o Instituto será o protetor oficial da Biodiversidade, por que não fugir do antropocentrismo exacerbado característico de nossa civilização e causador de tantos males para a vida do Planeta, por que não dar um nome de um ser vivo emblemático da biota brasileira e da luta pela sua preservação? Algo como Instituto Muriqui de Conservação da Biodiversidade? Ou Tuiuiú? Ou Tamanduá-Bandeira? (íche, são tantas possibilidades!). Imaginem, botar a população inteira do Brasil, escolas, etc, a votar num bicho ou planta que seja o patrono do novo Instituto, o que isso tem de potencial de criar uma boa empatia da população com esse instituto!). Enfim, que me perdoem os especialistas em gestão estratégica que vão me criticar por estar pensando em algo aparentemente menor, mas podemos fazer a diferença entre emplacar de imediato um novo Instituto simpático ou apático à coletividade.
Um baita abraço a todos
Ecordialmente,
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