A cidade do Rio de Janeiro pode ganhar uma nova área de proteção marinha. A proposta da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Urupirá, com 3 mil hectares, abrange praias, ilhas e recifes rochosos, numa faixa das águas que banham os bairros de Barra de Guaratiba, Grumari e Recreio dos Bandeirantes. O estudo técnico que embasa a criação da unidade de conservação foi apresentado pela Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade (Seas-RJ), Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em parceria com pesquisadores do Ilhas do Rio – Instituto Mar a Dentro em audiência pública no mês de setembro. A proposta segue agora a tramitação dentro do governo estadual.
O nome escolhido – “Urupirá” – é uma referência ao termo que os povos indígenas utilizavam para denominar uma das ilhas locais, e que significa “cesto de peixes”. Não à toa, a área da RDS abriga ambientes marinhos importantes para reprodução e crescimento de espécies como corvinas, tainhas, garoupas, lagostas e até polvos. Proteger esses berçários é um dos objetivos da área, que se estende desde a Pedra do Pontal, passa pela Ilha das Palmas até a Ilha do Frade.
A unidade de conservação, que integra a categoria de uso sustentável, visa ainda garantir os direitos e as tradições dos pescadores artesanais locais, fortalecer a cultura local, incentivar o ecoturismo e o turismo de base comunitária, e combater a pesca ilegal e o turismo desordenado.

A ideia é ainda que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável ajude a consolidar um corredor ecológico marinho no litoral sudoeste do Rio de Janeiro. A proposta – incluída no estudo – busca conectar e integrar ações de áreas protegidas marinhas, como o Monumento Natural das Ilhas Cagarras, e com isso favorecer uma rota para espécies que se deslocam pelo litoral carioca, como as baleias-jubarte. A região das Cagarras e águas do entorno é reconhecida como Hope Spot da Mission Blue, ou seja, um ponto de esperança para vida marinha.
O corredor também poderá contribuir para o ordenamento da pesca, da navegação, do turismo de observação de baleias e de outras atividades que ocorrem no mar.
O processo de elaboração da proposta, que contou ainda com apoio da The Nature Conservancy (TNC), teve como base pesquisas sobre biodiversidade, usos do território e características sociais da região; escutas territoriais; consultas a especialistas; além de reuniões técnicas e audiências públicas com pescadores, representantes do turismo, pesquisadores, organizações da sociedade civil e órgãos públicos.
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